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17.2.08

Jerusalém - como uma cidade do tamanho de João Pessoa pode-se manter no centro dos assuntos mais relevantes do planeta por 4 mil anos?

Em nenhum outro lugar o passado se reverbera no presente de maneira tão profunda. Afinal, quem chegou primeiro à cidade? ninguém sabe. A cidade é ocupada desde 3200 a.C, mas a questão de Jerusalém ser a cidade mais cobiçada do mundo, começa na época em que os israelitas, descendentes de Abrãão, que haviam sido escravizados no Egito, liderados por Moisés, escaparam e viveram como nômades na península do Sinai até alcançar Canãã, terra que lhes havia sido prometida por Deus. Eles formaram dois reinos, um ao norte (Israel) e outro ao Sul (Judá). Por volta de 1.ooo a.C, o rei Davi unificou os reinos e, para agradar a ambos, escolheu governar de uma cidade neutra: Jerusalém. Só faltava conquistá-la. Começa então a disputa que se estende até os dias atuais. Davi, após que a conquistou, fez Jerusalém sair da periferia e se tornar o centro do Judaísmo, era o lugar de Deus na Terra. Com a morte de Salomão, filho de Davi, a cidade foi tomada por conflitos internos, até se tornar uma mera zona de separação entre a Mesopotânia e o Egito. No fim do século 7 a.C era alvo das disputas entre egípcios e assírios, mas quem levou a melhor foram os Babilônios, o rei Nabucodonosor destruiu o templo e mandou milhares de judeus ao exílio. Em 538 a.C houve uma reviravolta e o rei persa derrotou os babilônios, transformou Judá numa provícia persa e permitiu que os israelitas voltassem a Jerusalém. Agora eles já eram chamados de judeus, mesmo que não pertencessem a tribo Judá. Os persas caíram com Alexandre, O Grande, quando este morreu, a cidade caiu no domínio dos ptolomeus que proibiram a prática do judaísmo, foi a primeira perseguição religiosa da história.
Após 16 anos, os macabeus (judeus revoltosos) conseguiram derrubar o regime imposto e instalaram um reino independente, por isso, essa revolta, teve uma importante repercurssão no mundo moderno, visto que ela inspirou o movimento sionista no século 19, que pregava a volta dos judeus à Jerusalém para restaurar alí seu lar nacional.
Acontece que o governo dos macabeus se tornou um governo marcada por disputas internas, o que tornou Jerusalém um alvo fácil para ser dominada por Roma, em 63 a.C. Poucos anos depois, o santuário sofreu nova ameaça, comandada por um homem que dizia que não iria sobrar pedra sobre pedra naquela cidade submissa aos emissários de Roma e que se dizia o próprio enviado de Deus na Terra, Jesus. Condenado, aquele deveria ser o final da história, mas logo surgiram rumores de que Jesus ressuscitara. Seus discípulos continuaram rezando como judeus, mas alguns deles entraram em choque com o sistema religioso e começaram a ser chamado de cristãos.
No ano 66, a luta entre facções judaicas havia descambado para a guerra civil, muitas revoltas foram surgindo contra os romanos, seus atuais governantes, até culinar nas lutas mais sangrentas, em mais um massacre aos judeus e ao templo novamente destruido. Da estutura original, sobrou só o muro das lamentações. Os judeus expulsos iniciaram uma grande diáspora pelo mundo.
Anos depois, tudo mundou. Constantino, imperador de Roma se converteu a cristianismo, começou a construir várias igrejas em Jerusalém, que passou a se chamar Nova Jerusalém e expôs o que segundo ele, seria a tumba de Cristo, o que logo ficou conhecido como Santo Sepulcro. O cristianismo floresceu até a chegada dos persas em 614, que demoliram as igrejas e confiaram Jerusalém aos aliados judeus, mas por pouco tempo: em 629 o imperador romano Heráclito ocupou a cidade, banindo os judeus e obrigando todos ao batismo. Quando a Pérsia e Bizâncio (romanos) estavam exaustos de lutar entre si, o território sagrado caiu na mira do islã.
As tropas marcharam da Arábia e conquistaram a cidade de forma pacífica, como os ocupantes anteriores, os mulçumanos (uma doutrinas que surgiu da fusão do judaísmo com o islamismo) também deixaram suas marcas na cidade. Jerusalém passou a ser a 3ª cidade mais sagrada do islã.
O contra-ataque da cristandade começou em 1096, quando milhares de soldados, camponeses e peregrinos rumaram a Jerusalém com a promessa papal de que a cruzada anularia seus pecados. Foi um banho de sangue. Anos depois, o império islâmino se reorganizou em torno do sultão Saladino, que em 1187 entrou em Jerusalém dispoto a vingar o massacre, mas aceitou rendição pacífica. Com a morte de Saladino, em 1194, o império mulçumano ruiu com as lutas entre os herdeiros e terra santa passou para o império dos mamelucos, um povo islamizado da Ásia Central. Em 1453, os turcos otomanos derrubaram o império Bizantino e não tardaram para conquistar Jerusalém, que dominaram por 400 anos. Foi o único império que conseguiu fazer com que cristãos, judeus e mulçumanos convivessem em paz. Em 1880, chegaram as primeiras levas de imigrantes judeus, que realizavam o refrão entoado em 1000 anos de diáspora: "ano que vem, em Jerusalém". O problema estava só começando: em 1918, quando o império Otomano caiu, o Reino Unido, que passou a administrar a palestina, logo se deu conta do abacaxi que tinha nas mãos: judeus e arábes (cristãos e muluçumanos) reinvidicavam aquelas terras. Não foi por acaso que o primeiro grande conflito entre judeus e arábes explodiu em 1929. A tensão cresceu em 1936, quando os palestinos se revoltaram contra a permissão dos ingleses à imigração judaica. À medida que a violência aumentava, com ataques de radicais de ambos os lados, a comunidade internacional passou a cogitar a divisão da Palestina.
A explicação religiosa para o fato de islâminos e judeus brigarem pela região é a seguite: Abrãão teve um filho fora do casamento, Ismael, e o mandou para morrer no deserto. Como não conseguia ter filhos com sua esposa, adotou uma criança, Isaac. Acontece que o filho legítimo dele não morreu, e fundou a religião islâmica, seus seguidores voltaram depois à Jerusalém reinvidicando a terra que era sua por direito, mas por outro lado, os judeus (mesma religião de Isaac também achavam que a terra era prometida à eles).
Após um atentado com 91 mortos, feito por radicais judeus, a Inglaterra passou a o pepino para as Nações Unidas. Em 1947 a ONU aprovou a divisão da Palestina em dois Estados: um judeu e outro árabe, com Jerusalém sob administração internacional. Os judeus aceitaram, os cristãos e mulçumanos não (a divisão era realmente muito injusta). Resultado: Israel foi formada em 1948, ano que eclodia em primeira das seis guerras com os países vizinhos. No armistício de 1949, a parte oriental de Jerusalém (de maioria árabe) passou para a Jordânia. A ocidental (de maioria judaica) ficou com os israelenses. Na guerra dos seis dias, em 1967, Israel conquistou a parte oriental. Jerusaém tem hoje em sua população, 66% de judeus e 34% de árabes.

A questão atual da cidade sagrada, ou terra prometida, envolve dois elementos: a soberania sobre a cidade, reinvidicada por israelenses e palestinos e os status dos lugares sagrados, reclamado por judeus, cristãos e mulçumanos. Nacionalismo e religião estão mais entrelaçados em Jerusalém do que em qualquer outro lugar. Apesar da pouca importânia estratégica e econômica ela tem um valor simbólico imensurável. É por isso que Jerusalém permanece no centro do mundo, enquanto cidades como Roma ficam no passado. Desde que Davi tomou a fortaleza jesubita, a cidade foi continuamente destruída e reconstruída. Onde antes voavam lanças de bronze hoje explodem terroristas suicidas - mas as tensões continuam as mesmas. Felizmente, as esperanças também.

2 comentários:

Laila disse...

Adorei o texto, Aninha!
Sim, sim continuarei postando de Israel!
beijoo

andrerson couto disse...

quem te disse que Abraão adotou isaac. Onde vcs viram isso na biblia?