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23.3.08

expressionismo

No começo do século XX, na França e na Alemanha, surgiu um grupo de pintores chamados expressionistas. Curiosamente, o objetivo dos integrantes desse grupo era combater o impressionismo, tendênica da qual eles provinham.
O impressionismo consistia em uma corrente da pintura que valorizava a impressão, isto é, era uma arte sensorial e subjetiva quanto ao modo da captação da realidade. Na relação entre o artista impressionista e a realidade, o movimento da criação vai do mundo exterior para o mundo interior. Já no expressionismo ocorre o oposto: o movimento da criação parte da subjetividade do artista, do seu mundo interior, em direção ao mundo exterior. Assim para o artista expressionista, a obra de arte é reflexo direto de seu mundo interior e toda a atenção é dada à expressão, isto é, ao modo como uma forma e conteúdo livremente se unem para dar vazão às sensações do artista no momento da criação. Essa liberdade de expressão assemelha-se à que os futuristas pregavam com seu lema "palavras em liberdade".
Durante e depois da Primeira Guerra, o expressionismo assumiu um caráter mais social e combativo, denunciando os horrores da guerra, as condições de vida desumanas das populações carentes, etc.
Segundo o crítico Giulio Argan, "o expressionismo se põe como antítese do impressionismo, mas o pressupõe: ambos são movimentos realistas, que exigem a dedicação total do artista à questão da realidade, mesmo que o primeiro a resolva no plano do conhecimento e o segundo no plano da ação".
Mas afinal, o que vem a ser arte, exatamente?
Para mim, a arte não é imitação, mas criação subjetiva livre. A arte é expressão dos sentimentos. A razão é objeto de descrédito, e se a realidade que circunda o artista é horrível, por que não deformá-la, ou eliminá-la, criando-se a arte abstrata?
A arte é criada sem obstáculos convencionais, o que representa um repúdio à repressão social e se desvincula do conceito de belo e feio, tornando-se uma forma de contestação.
Isso sim é arte, expressionismo é que o é, e não Monteiro Lobato, quando diz que os artistas que fazem arte pura são os que veêm normalmente as coisas. Mas o que é ver normalmente as coisas?
Como já dizia Renato 'Às vezes o que eu vejo, quase ninguém vê'. Não se pode definir, cada um tem sua própria forma de ver o mundo, de ver as coisas, de entendê-lo, de explicá-lo.

21.3.08

Como se desvincilhar das catracas invisíveis

Ordem. Capitalismo. Controle. Socialismo. Comunismo. Governo. Mídia. Televisão. Formas de controlar a vida, seja rumo ao "progresso", seja rumo ao dinheiro. A nossa vida inteira, por mais estranho que pareça ouvir isso, é completamente controlada (ou catracalizada) por esses regimes, formas de organização ou meios de comunicação.
Esses controles utilizados para regularem nossa vida de uma maneira quase inperceptível, estão presentes em todos os lugares e momentos, seja no policial que anda na rua, seja no Senado que elabora nossas leis. Mas a verdade, é que as catracas ainda vão muito além disso, vão desde o segurança que está em nossa festa até à câmera no elevador do prédio. As catracas visíveis por quais passamos, dependendo de onde trabalhamos ou o que fazemos, podem nem ser muitas, mas as invisíveis, são incontáveis.
Dependendo da sua classe social, cor, religião, esse número de catracas ainda pode se multiplicar. Essa variação na quantidade de catracas, é bem comum em países subdesenvolvidos como o Brasil. Acabar com elas só seria possível por meio da liberdade de expressão, seja por meio de movimentos em pról de alguma causa, ou seja através da arte (literatura, música, pintura, escultura etc.)
Toda forma, ou tentativa de mudar o sistema vigente, é uma tentativa de descatracalização. Usar sua liberdade de escrever, cantar ou falar é uma maneira de dizer não às catracas do cotidiano. Dar liberdade aos outros, não ser manipulado pela mídia e pelos meios de comunicação em geral, ter uma opinião própria fundamentada com imparcialidade, são formas, umas das poucas, de não estagnar em uma das muitas catracas invisíveis que existem por aí.

14.3.08

sonhar
mais um sonho impossível
lutar
quando é fácil ceder
vencer o inimigo invencível
negar quando a regra é vender
sofrer a tortura implacável
romper a incabível prisão
voar num limite improvável
tocar o inacessível chão
é minha lei, é minha questão
virar esse mundo
cravar esse chão

não me importa saber
se é terrível demais
quantas guerras terei que vencer
por um pouco de paz
e amanhã se esse chão que eu beijei
for meu leito e perdão
vou saber que valeu delirar
e morrer de paixão
e assim, seja lá como for
vai ter fim a infinita aflição
e o mundo vai ver uma flor
brotar do impossível chão.


(J. Darione - M. Leigh - Versão de Chico Buarque de Hollanda, o maior astista brasileiro)

8.3.08

E se houvesse um acidente nuclear nas usinas de Angra dos Reis?

Esqueça Chernobyl. As usinas de Angra dos Reis estão precavidas para evitar algo parecido com a maior catástrofe nuclear da história, que aconteceu na ex-União Soviética e matou 56 pessoas diretamente, outras 4 mil de câncer e expôs 6.6 milhões de pessoas. Em Cheynobyl, por exemplo, os funcionários demoraram dias para perceber que gás radioativo havia sido liberado; as usinas atuais, incluindo as brasileiras, têm sensores que evitam que esse tipo de coisa aconteça. Se acontecesse um acidente em nossas usinas, ele seria mais parecido com o que aconteceu na Pensilvânia, em 1979, no qual ninguém morreu, porém é considerado o maior acidente nuclear da história americana, como canta The Clash em London Calling.
Existe um plano de controle de danos para o caso de algo parecido acontecer em Angra (ou pior ainda, para a eventualidade de haver vazamento de radiação para fora da usina): a comissão nacional de energia nuclear, definiu 4 zonas de planejamento de emergência. São 4 círculos concêntricos, o 1º a até 3 km da usina e o último em uma faixa de 10 a 15 km. De acordo com a direção em que o gás radioativo fosse se espalhando, a população da 1ª faixa seria evacuada para a seguinte e assim sucessivamente. Essa orientação seria feita por meio de 8 sirenes, estratégicamente localizadas nas duas primeiras áreas. Quem não tem carro próprio seria conduzido pelo pessoal da Eletronuclear e todos seriam levados para a abrigos em escolas municipais e estaduais nas cidades vizinhas.
A longo prazo, uma faixa de até 50 km poderia ser atingida por gás radioativo, o que alcançaria muitos municípios da região e provocaria sérios danos ao meio ambiente. No curto prazo, o maior problema seria o pânico. A probabilidade de um acidente de grandes proporções acontecer é muito pequena, mas sempre existe. Por muito tempo, as usinas nucleares venderam a imagem de que estão imunes a acidentes, o que não é verdade.