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21.4.08

la revolución cubana

De uns tempos pra cá, mais precisamente na última semana, meu interesse em Cuba e na sua revolução, tem feito eu procurar saber e entender mais sobre o assunto. Tentar entender os fatos, os prós e contras dessa revolução, é sem dúvida a melhor forma de começar a compreedê-la, para poder então, questioná-la.
Aposto que Ernesto Che Guevara em sua primeira viagem pela América Latina, com seu fiel amigo Alberto Granado, como retrata o filme 'Diários de Motocicleta' não imaginava o quanto seu nome iria ser falado, mesmo 50 anos depois de seus "feitos heróicos" na Revolução Cubana. O que eu vejo, é muita gente usando aquela velha camisa com o rosto do Che estampado, mas na maioria das vezes, sem nem saber o que de fato isso significa. Ernesto não era nada mais senão, um homem com ideais e sonhos invejáveis, que abismado com a injustiça do mundo, se achava no dever de fazer alguma coisa. Um apenas, como tanto outros, o que o diferencia, é que ele de fato, o fez.
Fiel à Fidel até o momento em que isso não feria seus princípios, o comandante de guerrilhas lutou por seu ideal de uma ilha sem desigualdade social, sem preconceitos, sem ditadura.
Fidel Castro em 8 de agosto de 1958, meses antes da queda do então presidente e ditador de Cuba, Fulgêncio Batista, afirma:
"Quando terminarmos essa guerra, os comandantes militares não poderão ocupar posições políticas. Temos que permanecer como guardiães morais da revolução. Nosso dever é garantir que sejam cumpridas as promessas feitas ao povo. Nosso objetivo primário era restaurar a democracia e vi que as pessoas, os jovens que se juntaram ao Exército Revolucionário, personificam esse clamor de todos os cubanos pelo retorno do regime democrático. Mas, ao mesmo tempo, a Revolução começou a se alimentar de novas idéias, junto com o restabelecimento da democracia, vamos adotar reformas econômicas e sociais em benefício do povo cubano - reforma agrária, reforma urbana, todas elas subordinada às regras legais."
Por ironia do destino, Fidel seria na verdade, o próximo ditador da ilha que permaceria no poder por longos 49 anos.
Com a sucumbência de Cuba à União Soviética e a conseqüente adoção da política stalinista "socialismo num só país", Che Guevara revoltou-se silenciosamente contra a renúncia à exportação da revolução, abandonou o governo de Cuba e continuou a lutar por seus princípios, reemergindo no Congo, como guerrilheiro, antes de concluir heróica e melancolicamente sua trajetória na Bolívia.
Como nem sempre, os sonhos se encaixam na realidade, Fidel Castro para levar a idéia da Revolução adiante, teve que mudar (acho que isso é o que mais diferencia os dois líderes da revolução: talvez Che tenha milhões de camisas estampadas com seu rosto e Fidel não, porque ele, por nem um momento abandonou seus príncipios). Acontece, que ele mudou tanto, que acabou se tornando o que mais criticava: um ditador. Admiro-o por ter conseguido se opor à política e hegemonia norte-americana por quase longos 50 anos, por ter feito reforma agrária e defender o socialismo sob quaisquer circunstâncias durante todo esse tempo. Agora, do ponto de vista social, a verdade é que os indicadores sociais positivos da Cuba pré e pós-revolucionária não são fruto da sua ditadura, nem de Fulgêncio Batista (derrubada pelos guerrilheiros da Sierra Maestra), mas um produto das singularidades da história colonial da ilha caribenha. Em contraste com os territórios do istmo centro-americano, Cuba havia sido um dos mais dinâmicos centros políticos da colonização espanhola na América. A "jóia da coroa espanhola" no Caribe atraiu fluxos incessantes de prósperos colonos espanhóis, que constituíram uma elite numerosa e cosmopolita.
Fidel, como antes dele Batista, herdou uma nação cuja história entrelaçou-se muito cedo com a modernidade. Esse é o fundamento verdadeiro das conquistas sociais cubanas. O resto é mito.

2 comentários:

Vavá disse...

Olá,

Que fontes foram esta que vc consultou sobre Cuba?
Pela própria complexidade e polêmica em torno de Cuba e, especialmente, de Fidel a busca de fontes alternativas de informação fáz-se fundamental. Percebe-se no texto o afã de julgar apressadamente, a partir de um discurso ideológico, preconceituoso, alienado e repleto de "achismos"... O discurso da mídia burguesa reproduzido alienadamente.

ana cecília, disse...

Minha maior fonte foi uma palestra que vi do Demétrio Magnolli, pós-doutor e professor pela usp. E quanto aos "achismos" essa é a minha opinião quanto à Fidel: Adimiro-o por ter conseguido se opor à hegemonia norte-americana por todo esse tempo, porém, critico-o por ter se transformado no que mais odiava.
Isso é o que eu ACHO, meu pensamento, minha opinião, a qual não foi reproduzida de forma aliendada. Não me interssa se é burguesa ou não. Desculpa se não é a sua, mas devo lembrar-lhe que o blog é meu.