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13.5.08

"Todo poder a Vargas!"

Sem a menor dúvida, podemos dizer que Getúlio foi um dos (senão o mais) importantes presidentes que o Brasil teve. Fosse por representar uma ruptura com o modo de administração e organização do Brasil (mesmo que não total) na década de 1930, ou pela proeza de conseguir satisfazer até certo ponto a elite (tornando-se parte desta os militares dissindentes - os tenentistas), e a classe operária, Vargas teve êxito em adotar no Brasil uma política até então desconhecida na América Latina - o populismo.
Assemelhando-se em alguns pontos com o fascismo, pela censura, exaltação ao líder e à seus feitos através da prograganda e pelo regime totalitário que implantou a partir da criação do Estado Novo em 1937, não pode ser considerado porém, um fascista, já que seu governo não tinha a principal característica do regime: não possuía partidos, ou seja, era apartidário (além disso, por mais que Vargas tenha perseguido seus opositores, podendo-se citar o caso de Luis Carlos Prestes e Olga, as atrocidades que cometia nem se comparavam às cometidas na Itália e na Alemanha). Finalmente, acabou por romper qualquer ligação com o Eixo, a partir do apoio aos Estados Unidos, no final da Segunda Guerra Mundial.
Mas afinal, qual é a explicação mais plausível para Vargas ter conseguido manter-se 15 anos diretos no poder (1930-45)? Ora, o apoio da classe operária: graças aos direitos trabalhistas, que mesmo sendo fruto das inúmeras lutas do operariado, foram implantados na era Vargas. Como direito à um salário mínimo, à férias remuneradas, implantação da carga horária máxima de trabalho, proibição do trabalho infantil e outros.
Fazendo acordos com a elite cafeeicultora (a grande elite brasileira), e incentivando-a a investir na indústria com o forte apoio do Estado, conseguiu agregar diferentes propósitos em um só: satisfazer os cafeeicultores e industrializar o país (com a ajuda da crise de 1929, e à conseqüente diminuição das importações, foi no seu governo, que a indústria realmente tornou-se significativa no Brasil). Não perdendo o apoio do Exército, que o ajudou a chegar ao poder, pode-se dizer que sua inteligência (ou de seus assessores) e capacidade de convencimento foi um dos maiores fatores para sua própria ditadura ter durado tanto tempo.
Se foi boa, não cabe à mim dizer. Por mais que não se tivesse liberdade de expressão, acho que quem melhor responde isso são os operários, que finalmente, puderam parar de trabalhar 16 horas por dia e passaram a ter assistência a acidentes de trabalho.
O populismo, ou paternalismo, utilizado pelo 'pai dos pobres', também foi adotado por Perón na Argentina, e difere-se principalmente pela situação em que foi imposto: em um país cuja estrutura de classes era bem mais articulada que no Brasil, o peronismo foi levado a promover a organização sindical em maior profundidade; ao mesmo tempo, tratou de cortar os interesses da classe dominante rural (o que não aconteceu no governo de Vargas, já que a elite cafeeicultora foi bastante representativa). No caso brasileiro, os apêlos simbólicos e as concessões econômicas às massas populares seriam a tônica do getulismo, ou pelo menos do primeiro governo de Vargas.
Governo esse que chegou ao fim como uma de suas causas, por ter se tornado contraditório: Brasil entra na Segunda Guerra contra os regimes totalitários da Europa. Mas onde está a democracia no Brasil?
Movimentos estudantis começam a eclodir, e o próprio exército não apóia mais Getúlio. Mesmo com apoio de antigos opositores, como Luis Carlos Prestes, que anistiado, recebia instruções de Moscou para apoiar qualquer tipo de governo que fosse contra ao nazifascismo, Getúlio é deposto. Para voltar 5 anos depois.

'Meu candidato é Eurico. Mas, se puder trocar uma letra, Eu fico.'

Um comentário:

Thatá Melo disse...

Muito bom o seu texto. Parabéns, ele me ajudou muito. Obrigada.