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27.6.08

Afinidade acontece. Um mesmo signo, um mesmo par de sapatos caramelo, um mesmo livro de cabeceira. Afinidade acontece entre seres humanos. A mesma frase dita ao mesmo tempo, o diálogo mudo dos olhares e a certeza das semelhanças entre o que se canta e o que se escreve. Afinação acontece. Um mesmo acorde, um mesmo som, uma mesma harmonia. Afinação acontece entre instrumentos musicais. A mesma nota repetidas vezes, a busca pela perfeição sonora e a certeza das similaridades entre um tom acima e um tom abaixo. A incrível mágica acontece quando os instrumentos musicais descobrem afinidades humanas entre si no mesmo instante em que os seres humanos descobrem afinações musicais dentro deles mesmos.


/oteatromagico.mus.br

23.6.08

OH!BAMA

Incluir um discurso de mestiçagem em uma campanha eleitoral americana é muito fácil. O difícil é aplicar essa polítca em um país o qual através de grupos que agiram principalmente na década de 20 como Ku Klux Klan vem provando o caráter racista e xenofóbico que até hoje, impera nos Estados Unidos.
Um país que há 40 anos via o primeiro homem negro falar abertamente sobre a extinção da palavra raça, hoje, se mostra à frente das outras potências na corrida anti-racial.
O país mais preconceituoso da história, desde a época da guerra secessão, há dias atrás via-se no meio de duas campanhas: a disputa entre Obama e Hillary nada mais era senão uma disputa entre o feminismo e o anti-racismo. Um negro ou uma mulher? Qual seria o melhor candidato a quebrar o tabu de um país que por tanto tempo pregou a submissão desses mesmos grupos?
Barack venceu a primeira luta. Agora só resta saber se de fato, os democratas ganharão de McCain, ou se o partido de Abraham Lincoln mais uma vez permanecerá na Casablanca.
Esse ano, o que comanda as eleições norte-americanas não é a economia (mesmo porque não há muita diferença entre as duas propostas: por mais que os republicanos preguem a não-intervenção do Estado, a nuvem do protecionismo alfandegário já se aproxima por aí), mas sim, a política social. Obama diz que tira as tropas americanas do Iraque até o ano que vem. McCain desconversa. Omissão ou Mentira? O tempo dirá.

19.6.08

o maior golpe branco da história

Hoje, pode-se dizer que nenhum suicídio foi tão bem sucedido na história da humanidade quanto o de Getúlio Vargas. Fazendo juz à célebre frase "Entrarei no Palácio do Catete carregado pelo povo e de lá só sairei morto", aguentou até onde lhe era conveniente as pressões vindas de fora e de dentro do partido.
Depois do aumento em 100% do salário mínimo, pressão do Exército, da Aeronáutica, dos Estados Unidos, e até mesmo de parte do povo quando o aumento não veio em 54, seguido pelo atentado à Carlos Lacerda o qual 'a bala que errou Larcerda acertou Getúlio', Vargas diferentemente das teorias conspiratórias as quais dizem que sofreu um atentado à mando do FBI, em 24 de agosto de 1954 saiu da vida para entrar na história, neutralizando assim, todas as vantagens que seus adversários conseguiram acumular contra ele ao longo de seu governo. Fraqueza não: jogada de mestre.

Apelativa ou não, o sensacionalismo que causou a carta-testamento de Vargas mostrou a força que um governo autóritário pode ter. A tarja preta nos olhos da população pode causar muitos resultados se for bem aplicada, como no caso, o foi.

'Ao ódio, respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotaram, respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vois dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeio passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.'

Em outras palavras: quebrem o jornal de Lacerda. Dito e feito.

9.6.08

1 ano de recesso


Hoje faz exatamente um ano que sob aplausos ensurdecedores, gritos de doer o ouvido e muito choro em uma Fundição Progresso lotada, a banda carioca Los Hermanos (ou a melhor banda do Brasil, se preferir), cantou um último Adeus você ao seu público, se despedindo temporariamente. A banda das Alines, Anna Júlias, Melissas e Bárbaras, mesmo um ano depois, ainda nos faz chorar lágrimas sofridas pelo tal 'recesso por tempo indeterminado'.
Pois é, uma primavera se vai e quem sabe quantas serão sem os hermanos que desde o primeiro andar nos emocionam com conversas de botas batidas, sambas à dois e casas pré-fabricadas. Ainda choram pierrots e colombinas, e fica pras morenas e pra todos os fãs, a certeza de que este não foi o último romance, e a esperança que nem todo carnaval tenha seu fim.