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3.8.08

comunismo ou impopulismo?


Fã assumida de Vargas, João Goulart é para mim o político o qual mais se assemelha a Getúlio. Com algumas singularidades particularmente relevantes que o fizeram não ser tão bem-sucedido como fora Getúlio Vargas em seu governo, talvez o que mais tenha faltado à Jango foi a base política, social e militar que tivera Vargas, principalmente no seu primeiro mandato.
Dando início à primeira reforma na estrutura agrária e urbana que não contaria com o apoio da burguesia, a queda de João Goulart nos demonstra o colapso do populismo no Brasil, bem como seus limites. O populismo consistia em uma política em que o Estado, pela figura de um líder carismático, agia como intermediário entre a burguesia e o proletariado urbano, "forçando" essa mesma burguesia a realizar concessões (por meio de uma política trabalhista), enquanto mantinha o proletariado sob controle.
No entanto, o prosseguimento do processo de industrialização viabilizado pelo populismo levou à expansão cada vez maior do proletariado urbano e ao surgimento de novas reivindicações, como uma distribuição de renda global. Os trabalhadores acabaram se voltando para o Estado, a quem estava atrelados, e de lá veio o projeto de distribuição de renda: as reformas de base. Nesse momento, o Estado não mais atendia aos interesses das elites, ou seja, o populismo deixava de ser um instrumento usado em benefício da burguesia. Nada mais justo que essa mesma elite ser aquela que promoveria a desmontagem do velho Estado populista (e de seu arcabouço jurídico-político) e a criação de um novo. Tal é o caráter do novo regime que surgiu em abril de 1964.
As semelhanças com o episódio do suicídio de Vargas são significativas. Mais uma vez um líder populista ficou "sozinho" ao lado do povo contra forças conservadoras, tendo à frente as Forças Armadas. E mais uma vez, o líder rejeitou a hipótese de luta armada. Diferente do cheque-mate lançado por Vargas em 1954 com a sua morte, Jango exilou-se. Morrendo de forma misteriosa anos depois no Uruguai. A pergunta paira no ar: Quem matou João Goulart? Especulações recaem sobre a CIA. É penoso remoer mazelas de um esquadrão da morte a serviço de um regime político, que veio a influenciar o código de honra de tropas de elite, milícias e traficantes, e manchar a reputação da pátria cordial nos seus piores anos do século XX. Soda cáustica na História do Brasil! E por que não dos Estados Unidos?

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