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21.9.08

philos - sophia

Não importa o ponto de vista filosófico em que nos situemos hoje, o caráter errôneo do mundo onde acreditamos viver é a coisa mais firme e segura que nosso olho ainda pode apreender. Para isso, encontramos muitas e muitas razões, que gostariam de nos induzir a conjecturas sobre um enganador princípio na "essência das coisas", desde a Escola de Mileto. Enfim, desde os pré-Socráticos, todos os filósofos da natureza tentaram encontrar respostas às perguntas, as quais mesmo hoje, 2400 anos depois, não conseguimos responder.
Às vezes a filosofia parece nem ser responsável pelo que de fato o foi. Ciências humanas, física, matemática, tecnologia, arquitetura. Tudo surgiu a partir de filósofos, os quais viveram muito antes de Cristo e tinham a capacidade de se admirar com as coisas. É preciso lhes fazer justiça, a eles e também à razão - e os instintos - é preciso acompanhar os instintos, convencendo a razão a ajudá-los com bons motivos. Uma exceção poderia ser Descartes, o pai do racionalismo (e portanto avô da Revolução), que reconheceu autoridade apenas à razão: mas a razão sozinha não passa de instrumentos, e Descartes era superficial.
Seja hedonismo, seja pessimismo, utilitarismo ou eudemonismo: todos esses modos de pensar que medem o valor das coisas conforme o prazer e a dor, são ingenuidades e filosofias de fachada. Filosofia pura é aquela, a qual tenta, em pleno século XXI, sobrepor-se à ciência a qual ela própria deu à luz, para responder ainda às muitas perguntas feitas na Magna Grécia. Todo mundo tem um pouco de filósofo dentro de si, mas na maioria das vezes, ele é obscurecido pela vida cotidiana e supérfula das pessoas. Eu própria, me sinto como uma criança de 8 anos, sem saber o porquê de nada, querendo saber o porquê de tudo. Imagino ter sido esse o sentimento de Sócrates, Spinoza... Nietzsche principalmente. Vai saber, quem souber me salva.
De qualquer forma, a atração do conhecimento seria mínima, se não houvesse tanto pudor a vencer no caminho até ele.

Um comentário:

Tiago Júlio disse...

Pois é, agora li com mais calma.

É engraçado pensar em 'filosofia pura' hoje. Pra mim, houve uma inversão de valores tão grande de umas décadas pra cá... Com essa tal de globalização, o consolidamento do capitalismo, o crescimento da população mundial e tudo mais, as pessoas desenvolveram novos valores:consumismo, individualismo, egocentrismo e, aquele que eu acho o pior de todos, o imediatismo.
Acho que tanta futilidade, banalidade e superficialidade vêm justamente desse busca desesperada de todo mundo por diversão barata e prazeres instantâneos, e por isso prendem-se, incoscientemente, num mundinho minúsculo.
Sem dúvida que o conhecimento é a chave pra abrir essa janela, e o conhecimento filosófico, a curto prazo, é o que melhor possibilita isso através de reflexões e questionamentos. Isso expande a visão e aumenta a criticidade de forma absurda, dá novos critérios e promove a revisão de valores estúpidos.
Eu tenho uma teoria (daquelas beeem de boteco-decadente :) de que a única forma de interessar-se por isso ou é através de boas influências, e isso precisa ser bem no início da construção da personalidade, ou através de insatisfação e dor, no sentido metafísico da palavra. Acho que o sofrimento promove a evolução justamente porque dá essa noção de que as coisas estão erradas e de que, alguma forma deve haver nexo pra tudo isso.
Enfim, como tu mesma disse, esse não é o caminho mais fácil muito menos o mais cômodo, e, na minha singela opinião, tá todo muito satisfeito (ou quase isso) cultivando sua felicidade de plástico. A luz mostra, mas também faz os olhos arderem, de qualquer jeito, é melhor isso que a mediocridade e a pobreza de "espírito".

Muito bom o texto, me inspirou de verdade. Parabéns.