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20.10.08

Rodada de quê?

Chineses e indianos não aceitaram renunciar à proteção dos seus mercados internos de produtos agrícolas. Há centenas de milhões de agricultores nesses países. Como poderiam europeus ou americanos apontar um dedo acusador para chineses e indianos?
O acordo, costurado ao longo de dias decisivos, finais e extenuantes em Genebra, era magro, desajeitado e feio. Era um programa mínimo, formulado só para circundar o fracasso da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começou há sete anos com ambiciosas promessas de liberalização do comércio de alimentos. Nada feito. A União Européia e os Estados Unidos, uma vez mais, negaram-se a cortar fundo nos subsídios a seus próprios agricultores. Aí está a causa de fundo do fracasso.
O Brasil passou anos tentando liderar o G-20, o grupo dos "países emergentes", nas negociações multilaterais de comércio. Na última hora, em nome de seus próprios interesses, fechou com a proposta mínima de europeus e americanos. A ruptura do G-20 é prova de que o panorama do comércio mundial não cabe numa equação com uma só incógnita.
União Européia e Estados Unidos não estão mais sós na arena principal do comércio global. A China entrou no jogo como grande protagonista. E as regras mudaram, para sempre.
Sem um acordo geral, é cada um por si. A trégua terminou. Começa a corrida pelos acordos regionais e bilaterais. Tempos de guerra comercial.

[ devo confessar que ando lendo muito José Arbex ]

Um comentário:

Tainá Nascimento. disse...

Eu sempre soube que a China ia mudar o mundo.

Viva a China, odeio o EUA. É viva a china.