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15.12.08

Filosofia, eu quero uma pra viver.

Em uma abordagem particular sobre Aristóteles, explico que as virtudes são provenientes de nossas ações, nossos costumes, que são diretamente influenciados pelo meio no qual vivemos. Nos tornamos aquilo que praticamos e praticamos aquilo que praticam ao nosso redor. Já as aptidões naturais são tudo que está inato à existência humana e portanto, não podem ser modificadas nem ensinadas, apenas se manifestam.
Tendo em vista essa diferença, podemos perceber o qüão difícil é a afirmação de um único conceito filosófico, visto que o ponto de vista do mesmo varia radicalmente em cada autor. No existencialismo de Sartre, por exemplo, podemos ver que a questão fundamental é o que fez você de sua vida e ainda sim, que o importante não é o que fazem do homem, mas o que ele faz do que fizeram dele. Retomando de forma diferente às aptidões e discutindo as virtudes, mesmo milênios depois.
Para Kant, onde deve haver um comando supremo ao homem conhecido como razão que o obrigue a seguir o tal imperativo categórico, as virtudes não fazem-se tão necessárias como em Maquiavel. Arbítrios da filosofia...
A palavra "bom", por exemplo, foi Nietzsche quem procurou demonstrar, em ataque furioso contra o cristianismo, que seu significado teria sido distorcido ou limitado pela cultura cristã. Bom entre os antigos, não apenas significava justo, mas também designava o forte guerreiro. Segundo Nietzsche, o cristianismo não apenas teria negado aos homens a compreensão exata do significado de tal palavra, como também, o que seria muito mais grave e perigoso, desviado o ser humano daquilo que melhor caracterizaria e expressaria sua natureza: o seu espírito guerreiro. Os antigos valorizavam, por exemplo, a guerra, na contramão do cristianismo que se diz pacifista.
É impossível desse modo, formular conceitos filosóficos perenes e universais, incluive para ética e moral. Como dizia Karl Jaspers: 'Eis por que a Filosofia não se transforma em credo. Está em contínua pugna consigo mesma'. E seja para Niestzsche, Popper, Dostoievski, Kant, Schopenhauer e muitos outros, a verdade é um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parece a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias. Triste ilusão.

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