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1.1.09

discurso burocrático?

Alguém disse que, nas eleições presidenciais americanas, todas as pessoas do mundo deveriam ter direito de voto. A ironia é uma evidência do poder de uma nação que, ao longo do último século, desenhou os traços mais agudos da economia e da política globais.
O filósofo francês Bernard-Henri Lévy escreveu uma carta aberta "ao próximo presidente dos Estados Unidos", que foi publicada no Huffington Post, um dos mais influentes blogs de política americanos. Lévy aborda o "excepcionalismo americano", ou seja, a idéia de que os Estados Unidos constituem uma nação marcada por uma singularidade absoluta.
Todas as nações são "excepcionais", "singulares". Mas, de fato, a república americana nasceu desafiando a tradição monárquica européia e prometendo a igualdade entre seus habitantes - ou, pelo menos, entre os cidadãos, o que excluía a massa de escravos do Sul. A república também nasceu virada de costas para a "política de poder" dos Estados europeus, prometendo orientar-se nas suas relações externas pelos elevados princípios da liberdade.
Liberdade pode significar muitas coisas. George W. Bush e os neoconservadores arrogaram-se a missão de reformar o mundo segundo um padrão definido em Washington. Fizeram isso reivindicando a continuidade da obra dos "Pais Fundadores" dos Estados Unidos, mesmo se a Declaração de Independência clamava por "um respeito decente às opiniões da humanidade". O resultado foi o desastre no Iraque e uma onda de anti-americanismo no mundo.
A combinação de guerra no exterior com redução de impostos para ricos e estímulos ao consumo financiado envenenou de vez uma economia apoiada sobre alicerces instáveis. É finalmente, 1º de janeiro de 2009, a hora do presidente do pós-desastre, Barack Obama, transformar em realidade seu discurso de mudança.

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