Pages

26.5.09

Os limites da democracia

"Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o incoformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos." Numa entrevista à revista Veja, o senador e ex-governador Jarbas Vasconcelos, um dos nomes mais emblemáticos do MDB original, ofereceu uma análise devastadora sobre o atual PMDB.
O partido sintetiza os limites do sistema partidário e da própria democracia no Brasil. Se PT, PSDB e DEM, os demais grandes partidos, têm ao menos alguns traços ideológicos, o PMDB funciona apenas como um disfarce para a captura fragmentária do Estado por elites políticas regionais e locais. O PMDB está no poder no governo Lula, como esteve sob FHC, Itamar Franco, Fernando Collor e José Sarney. "De olho principalmente nos cargos", o PMDB será situação no próximo governo, seja ele qual for.
Mas por que o PMDB quer altos cargos em qualquer governo? "Para fazer negócios, ganhar comissões. (...) a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção." A mensagem de Jarbas não é, essencialmente, que todos os partidos têm seus corruptos. Isto é óbvio, triste e banal. Ele está dizendo que a privatização da riqueza pública - "manipulação de licitações, contratações dirigidas" - é a motivação principal de existência do PMDB.
O conteúdo da entrevista não é exatamente uma novidade. A novidade está na fonte: Jarbas não é um analista exterior. Como o PMDB reagiu às suas explosivas declarações? Com uma nota vazia, destituída até mesmo de indignação protocolar, na qual dizia que as ignorava. Alguns dirigentes do partido exigiram que Jarbas citasse nomes. É uma manobra para desviar a atenção do principal: Jarbas tem muitos nomes, mas são nomes demais. Uma lista mais curta seria composta pelas exceções à regra da corrupção. É que ele não fez uma denúncia de corrupção, mas sim uma caracterização do lugar do PMDB no sistema político brasileiro.
Dilma Roussef, a candidata de Lula, busca uma coalizão com o PMDB. José Serra e Aécio Neves, candidatos do PSDB, também. Jarbas anunciou que deixará a vida pública.

Nenhum comentário: