Pages

23.6.09

diploma é solução, não problema.

"Jornalista não precisa de diploma!" "A Universidade não serve para nada!" "Vou ficar desempregado!"
Quanta falta de esclarecimento, meu Deus.
Antes de tudo, de sair alardeando idéias sem nexo e organizando movimentos estudantis por uma causa sem embasamento teórico ou prático, seria bom que houvesse maior entendimento do assunto, um pouco mais de esclarecimento.
Primeiro, a tão sonhada hoje obrigatoriedade do diploma surgiu na década de 70, durante um obscuro período histórico, em que se deu uma ditadura escrachada, baseada no terror, na injustiça e na impetuosidade. Para os militares se manterem no poder, era necessário calar a voz do Brasil, que clamava por liberdade de expressão, os Atos Institucionais vieram com esse propósito, assim como a lei Falcão, que só por um acaso, foi a lei que instituiu a obrigatoriedade do diploma jornalístico. E justamente para isso: restringir o acesso da população aos meios de comunicação. 40 anos depois, em um país sitiado por um regime neoliberal que se diz democrático, qual o sentido dessa restrição?
A lei que tira a obrigatoriedade do diploma só veio legitimar algo que há décadas acontece na prática: grande parte dos jornalistas não possuem o tal diploma, não possuí-lo não significa necessariamente não ter conhecimento. Lúcio Flávio Pinto, o melhor jornalista paraense na minha opinião, é um ativista efervescente na luta contra essa obrigatoriedade, justamente por não possuí-lo, assim como Ricardo Noblat e tantos outros. Exatamente por essa lei ser relativamente nova (datada da década de 70), inúmeras pessoas sempre estarão incluídas no campo midiático sem possuirem diploma, então porque continuar onipresente na legislação, que em tese deve se adequar à realidade do país?
Alguns estudantes argumentam que isso diminuirá o ingresso de jovens nas universidades. Doce utopia. Publicidade é o 3º curso mais concorrido da USP, um dos mais requeridos em todo o país, e nunca precisou de diploma para se legitimar. De acordo com esse raciocínio ilógico, cursos como História, Administração, Artes cênicas, Cinema, Publicidade e tantos outros deixariam de existir. A proliferação de cursos técnicos pode até acontecer de fato, mas jovens os quais desejam se destacar no mercado de trabalho, buscarão sempre os melhores caminhos.
A central Globo de Produção e Jornalismo deu seu parecer: "continuaremos aceitando apenas jornalistas com formação acadêmica - do cinematografista ao editor." Logo, essa falta de obrigatoriedade do diploma, o tornará um diferencial, pode tornar a solução para jovens inseridos em um mercado excentricamente competitivo, e não um problema.
Porém, devo admitir que os argumentos apresentados pelo STF foram os mais pífios possíveis, pois dizer que jornalismo não requer conhecimento técnico e que erros jornalísticos não interferem na vida de ninguém, nada mais é senão uma prova que os juristas possuem um conhecimento absurdamente restrito e lhes falta capacidade de uma concepção abrangente sobre outras áreas que não seja o Direito, lhes falta interdisciplinaridade, e isso, Jornalismo o têm de sobra. Um furo jornalístico, pode inclusive, ser pior do que um erro médico simples, ao passo que o primeiro pode comprometer de maneira irreversível a vida (mesmo que pública) de alguém, enquanto o segundo, em alguns casos, é passível de reparação. A notícia sobre a notícia nunca tem o mesmo impacto. O poder de uma frase proferida erroneamente uma vez, é incalculável, mesmo que haja retratação - o que de qualquer forma, pelo menos no Brasil, quase nunca acontece.
Por fim, chegou o momento de dizer: abram suas mentes! Diploma é solução, não problema. Esclareçam antes de alardear, é esse o papel dos universitários! Ninguém aprende a escrever na Universidade, o que determina isso é o conhecimento adquirido ao longo de sua vida através de leitura e experiência, o ensino superior é um meio, mas não o único e nem o fim. Essa atitude imediatista típica de estudantes de faculdades particulares de achar que apenas o retorno financeiro imediato do investimento aplicado vale à pena, corrói toda uma concepção histórica e ideológica de que Comunicação é Direito Humano.

16.6.09

O ímpeto de crescer e viver intensamente, foi tão forte em mim, que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos. A vida não é racional! É louca e cheia de mágoa. Mas não quero viver comigo mesma. Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal. Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos, beber um Benedictine ardente. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntima delas. Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela. Eu estava esperando. Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro. Todo o resto foi uma preparação. A verdade é que sou inconstante, com estímulos sensuais em muitas direções. Fiquei docemente adormecida por alguns séculos, e entrei em erupção sem avisar.