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6.7.09

O que é arte para você?


Uma interpretação de arte conceituada na livre subjetividade seria sem dúvidas, a mais adequada. Mas ainda assim a pergunta se faz pertinente. Existe arte nas ruas? O que deve ou não ser considerado arte em um mundo, que como diria Adorno e Horkheimer, banalizou toda e qualquer forma de expressão artística erudita?

A verdade é que o conceito de arte é muito mais perene e intransitável do que se imagina. Tanto a arte erudita, cultivada nos tempos áureos do Renascimento por uma elite aristocrática que realmente entendia do assunto, quanto a popular arte trovadoresca dos camponeses da Idade Média, estão inseridas em um âmbito consagrado pelo caminhar da humanidade e valorizado sobre a preliminar do tempo histórico. Mas é induvidável que quando a burguesia chegou ao poder, por entre conchavos e revoluções, a mesma inverteu irreversivelmente a ordem das coisas. Até então, existiam dois tipos de arte: a erudita, e a arte popular das ruas. A partir do surgimento da classe burguesa e de todas suas implicações de ordem econômica e social, a arte clássica produzida pelas mãos dos detentores do conhecimento, passou, junto com o dinheiro, a cair nas mãos de quem utilizava a arte como mecanismo para se inserir em um mundo que não era seu, tentando copiar fielmente uma nobreza. Porém, como seu sustento, ou tentativa do mesmo, em uma nova pirâmide social que se construía com os Estados Modernos, provinha de trabalho, não havia tempo para o ócio em que a nobreza vivia, onde podia aprofundar-se no conhecimento e na aprendizagem de criação artística. A partir então do momento em que a arte caiu nas mãos de pessoas as quais não detinham o conhecimento necessário para a perpetuação do eruditismo, a linha divisionária entre clássico e popular, tornou-se tênue.

100 anos depois, com o surgimento dos meios de produção em massa e meios com forte poder de popularização, como o cinema e os meios de comunicação em geral, como diria uma vertente adorniana da Escola de Frankfurt, aquela arte aristocrática caiu literalmente nas mãos de um povo que não sabia o que fazer com ela. Devo concordar que Walter Benjamim se enganou profundamente ao dizer que tais meios serviriam para a expansão do conhecimento e da arte, serviram sim, para sua banalização. Não existiu mais, desde então, divisão entre popular e clássico, por mais que os núcleos pseudo-intelectuais tentem provar o contrário. Os livros de autores como Dostoévski e Schopenhauer publicados pela MARTIN CLARET estão aí para provar isso.

Porém, houve tanta subversão da ordem, que no século XXI, tudo se tornou arte. E os leigos no assunto ainda ousam dizer: arte clássica. Pobres coitados. Não tem noção da historicidade dos fatos, e dessa mescla inelutável do que era aristocrático com o que era senso comum promovido pelas revoluções burguesas, pelos "novos ricos". Tem gente que sai por aí dizendo que pinturas grafitadas nas ruas são arte. Eu, na minha concepção subjetiva-livre sobre arte diria: "Se isso é arte para você, então é e pronto." Agora dizer que é arte clássica, é preciso no mínimo, mandá-la dar uma voltinha pela Capela Sistina, conhecer a arte produzida por quem estudava sobre ela durante o Classicismo.

A discussão sobre o que é ou não arte atravessa de maneira inviolável o passar dos séculos, e torna-se saudável quando tenta-se colocar no lugar e no olhar do outro, no meio em que ele vive, para poder entedê-lo sobre sua definição de atividade artística. Arte pode ser o que você quiser: de arte contemporânea à arte naif, de pinturas de Michelângelo à pixações em prédios, de monumentos e esculturas de Rodin às exposições mais bizarras no MASP, de mpb à tecno-brega, de modernismo de 22 à incoerência absurda que predomina no século 21 sobre como tratar artistas!

A compreensão artística, ou a falta dela, só vem mostrar que a incompreensão entre os seres humanos está inserida em todos os campos do conhecimento e da vida. Se eu pudesse fazer um único pedido a um Deus supostamente cristão, seria pedir maior compreensão entre as pessoas, o que geraria mais amor no mundo. A incompreensão só mostra a nossa imensa fragilidade quanto a tudo que nos é ameaçador ou diferente. É necessário compreender, para crescer. Afinal, o crescimento da humanidade, contrariando a teoria evolucionista de Hegel, depende dos nossos atos de hoje, ele não é interdependente à nossa capacidade de estender a mão, da nossa capacidade de compreensão. Ou da falta dela, tanto na arte, quanto na própria vida.

Um comentário:

IGOR Normando disse...

Arte é tudo aquilo que se pode ver tocar e sentir. Fazemos arte a toda hora. Obrigado pela visita já add o seu também =)
Ah. Parabéns pelo blog e pela REVOLUÇÃO que estas fazendo (em uma pessoa), se é que me entendes.