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28.8.09

Eu acredito no acaso.

E ao meu ver, é inimaginável acreditar que não passamos de marionetes nas mãos de uma coisa intitulada destino. Que não somos mais do que atores de uma peça escrita sabe-se lá por quem. É tão evidente o fato de possuirmos livre-arbítrio para tudo, que nos esconder atrás de uma suposta história pré-determinada só nos mostra nossa fraqueza frente à responsabilidade de assumirmos nossos próprios atos. Nossas atitudes de hoje determinam o que seremos amanhã. E quem determina tais atitudes somos nós mesmos, e um pouco de todos ao nosso redor. Isto é para mim, tão inquestionável quanto o fato de sermos responsáveis pelos movimentos do nosso próprio corpo.
Coincidências? É claro que elas existem! Elas são fruto do acaso, que querendo ou não, ajuda também a determinar nossa existência, nossa essência. O fato das pessoas não atentarem para a ocorrência de acasos, explica-se devido ao enorme interesse a tudo o que é sobrenatural ou inatingível. Vamos tomar um exemplo bem simples: digamos que eu esteja pensando em um amigo e que no momento seguinte ele me telefone ou então apareça na minha casa. Muitos consideram uma coincidência como essa algo sobrenatural. Acontece, porém, que penso com frequência nesse meu amigo e nem por isso ele toca a campainha da minha casa toda vez que penso nele. E acontece também, de ele me telefonar muitas vezes, sem que eu esteja pensando nele. O problema maior é que as pessoas sempre pensam naquelas ocasiões em que as duas coisas acontecem ao mesmo tempo. E é este o ponto. Se achamos na rua uma nota de dez reais quando estamos precisando com urgência de dinheiro, a primeira coisa que nos vem à cabeça é que há algo de "sobrenatural" naquela coincidência. Ainda que a gente viva duro trezentos e sessenta e cinco dias por ano! E é exatamente assim que vão se acumulando as histórias sobre toda a sorte de "experiências sobrenaturais" que nos são contadas por nossos avós e tios. As pessoas se interessam tanto por histórias assim que estas se multiplicam cada vez mais.
O fato de nós nos atermos com tanta voracidade ao "sobrenatural" pode ser explicado por um tipo raro de cegueira, que não nos permite enxergar o maior dos mistérios: o fato de que existe um mundo. Muitos se interessam mais por marcianos e discos voadores do que por todo o enigma da criação que se desenrola bem debaixo dos nossos narizes.
Nesse ponto, não acredito que o mundo seja um acaso. Acredito em um motivo. Acho que o universo é fruto de uma vontade. Um dia você percebe que por detrás de todas essas miríades de estrelas e galáxias oculta-se uma intenção. Por exemplo, a probabilidade de nenhum dos nossos antepassados ter morrido ainda criança era uma para muitos bilhões. Todos, todos os nossos antepassados cresceram e tiveram filhos em épocas que foram palco das mais terríveis catástrofes naturais e que, além do mais, possuíam índices assustadores de mortalidade infantil. Sim, no fundo, todos travamos uma guerra contra nós mesmos e contra nossas possibilidades de nascer séculos e séculos mais tardes. Ainda sim, estamos aqui, vivos. Logo, realmente talvez tivesse sido um mero acaso eu ter estado tantas vezes na hora e no lugar certo. Também podia ter sido um acaso o fato de me ter chegado às mãos tantas oportunidades únicas. Mas com certeza, há alguma intenção por detrás do fato de eu estar viva.

Um comentário:

tai do nascimento disse...

eu acho que eu acredito no acaso. e acredito que muitos acreditem, só que com outros nomes.

:)