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12.10.09

Holanda: é pra lá que eu vou!


A nação holandesa surgiu como resultado da união de sete províncias que se rebelaram contra o domínio espanhol em 1579 e passaram a funcionar como uma federação independente a partir de 1588. Uma delas chamava-se Holanda, nome que depois passou a designar o conjunto das Províncias Unidas dos Países Baixos.
Ao contrário de outras regiões da Europa, onde ainda vigorava o sistema feudal, ou que haviam se constituído em monarquias absolutistas, as sete províncias dos Países Baixos adotaram a República como forma de governo.
Na República holandesa, cada província tinha autonomia para decidir suas questões internas. Além disso, em uma época em que a intolerância religiosa entre católicos e protestantes provocava sangrentos conflitos na Europa, a Holanda se tornou um símbolo da liberdade de crença.
A liberdade religiosa e a garantia de direitos políticos para a população civil fizeram com que muitas pessoas que sofriam perseguições em seu país de origem procurassem abrigo na Holanda. Ali, puderam publicar livremente jornais, panfletos e livros que logo se espalharam pela Europa. Em tais textos, os autores criticavam a Igreja católica e os regimes absolutistas.
Nessas circunstâncias, o século XVII foi de grande efervescência cultural na Holanda. Poetas, intelectuais, músicos e filósofos formavam associações para melhor difundir suas obras e defender seus interesses. Alguns dos melhores pintores do norte da Europa, como Frans Halls, Rembrandt van Rijn e Jan Vermeer, viviam e trabalhavam em território holandês. Ao mesmo tempo, dois dos filósofos precursores do Iluminismo - o inglês John Locke e o francês René Descartes - residiram na Holanda, onde participaram dos debates intelectuais que, no século XVII, fizeram desse país um lugar de produção de idéias originais.
Mais uma vez, faz-se necessário remontar à história, para entender porquê ainda hoje, a Holanda é um país à frente do seu tempo. Ela nasceu desafiando as tradições pragmáticas européias, e no século XXI, desafia os dógmas de uma civilização ainda influenciada pela cultura cristã. É o caso da legalização do aborto nesse país, e da existências de ONG's holandesas que viajam pelo mundo inteiro fazendo valer esse direito inerente ao sexo feminino.
Mais exemplos não faltam: a busca pelo aumento da taxa de natalidade permitindo relações sexuais em praça pública a partir das 11 da noite e o fato de ser o primeiro país no mundo a legalizar a maconha, coloca de novo a Holanda no topo da liderança pela modernidade e pela adequação do ordenamento jurídico à realidade, o que falta ao extremo nos países retrógrados e conservadores do mundo contemporâneo; como o nosso.
A Igreja era a culpada pelo atraso durante a Idade Média. E agora, a culpa é de quem?

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