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19.10.09

le tourbillon de la vie

Em algumas situações, meu lado crítico de cinema clama por vir à tona. Observando de forma contínua minha evolução escrita, fica claro minha pugna por determinados estereótipos de filmes hollywoodianos (em suma maioria) e minha clara devoção por alguns diretores - Truffaut é um deles. Tentando despertar esse meu lado crítico após um final de semana repleto de filmes europeus, não podia deixar de comentar sobre uma de suas maiores obras-primas: Jules et Jim.
Será que Henri-Pierre Roché, algum dia pensou em obter tamanha projeção de sua imagem ao escrever esse livro? E será que de fato o teria, se casualmente, em um passeio por um dos sebos de Paris, ninguém menos que o cineasta François Truffaut, encontrasse sua obra e decidisse a partir de então levá-la às telas? É muito provável que não. Ele era apenas mais um escritor anônimo em um fervilhão cultural que há muito havia se tornado a capital francesa. Mas o acaso fez com que assim não o fosse. E da literatura para o cinema, o "hino à vida" de Truffaut, com extraordinária atuação de Jeanne Moreau, vem de forma única cantar o amor e a amizade.
É 1962 e o libertário triângulo amoroso de Jules, Jim e Catherine, vem com um desfecho surpreendente, diálogos eloquentes, incitações pertinentes. Reflexões paradigmáticas. Aborto de idéias. Relatos que sutilmente... incomodam. Por clamarem um pouco de nossas dúvidas e verdades. Contestar conceitos da sociedade. Como pode o cinema trazer tudo isso à tona em apenas 105 minutos?

Pretenção. Pois Truffaut vem provar que pode. E com classe!
Lindo. Como o turbilhão da vida.

E tudo isso, sem falar na trilha sonora...

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