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1.10.09

Sobre a brevidade da vida

Vou tentar, nessa primeira madrugada de outubro, abordar mais uma vez - de maneira mais convincente (e por que não realista?) - esse tema. Isso porque meu primeiro texto sobre esse assunto não ficou do jeito que eu queria. Então é isso, pro lixo.
Mas vamos lá, o filme "Cazuza - O tempo não pára" sempre me deixa com uma espécie de felicidade pensativa. Tento explicar por quê. Cazuza mordeu a vida com todos os dentes. Não só ele, mas muitos outros, que nos fazem ver a veracidade de melodias que cantem que os bons morrem jovens. A doença e a morte parecem ter-se vingado de sua paixão exagerada de viver. A partir daí, é impossível não perguntar-se mais uma vez: o que vale mais, a preservação de nossas forças, que garantiria uma vida mais longa, ou a livre procura da máxima intensidade e variedade de experiências? Digo que a pergunta apresenta-se "mais uma vez" porque a questão é hoje trivial e, ao mesmo tempo, persecutória. Obedecemos a uma proliferação de regras que são ditadas pelos progressos da prevenção. Ninguém imagina que comer banha, fumar, tomar pinga, usar entorpecentes químicos, transar sem camisinha e tomar, sei lá, nitratos com Viagra seja uma boa idéia. À primeira vista, parece lógico que concordemos sem hesitação sobre o seguinte: não há ou não deveria haver prazeres que valham risco de vida ou, simplesmente, que valham o risco de encurtar a vida. De que adiantaria um prazer que, por assim dizer, cortaria o galho sobre o qual estou sentado? Nós jovens, temos uma boa razão para desconfiar de uma moral prudente e um pouco avara que sugere que escolhamos sempre os tempos suplementares. É que a morte nos parece distante, uma coisa com a qual nos preocuparemos só mais tarde, muito mais tarde. Mas nossa vontade de caminhar sobre a corda bamba e sem rede não é apenas a inconsciência de quem pode esquecer que o "tempo não pára". É também (e talvez sobretudo) um questionamento que nos desafia: para disciplinar a experiência, será que temos outras razões que não sejam só a decisão de durar um pouco mais?
E é lógico que não temos. Mas até onde vale à pena durar 80 anos olhando pra trás sem ter vivido nenhum?
Antes 20 do que nada, porque a vida, meus amigos, é agora.

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