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25.11.09

A minha tv tá louca. - Parte II

A música de ontem retrata bem a minha opinião sobre o atual (atual?) estado da televisão brasileira. Talvez o problema na verdade, esteja em toda a televisão de canal aberto. É, a partir do momento em que o editor chefe do jornal mais assistido pela população brasileira - em suma 50 milhões assistem diariamente ao Jornal Nacional - afirma produzir suas pautas direcionadas ao Hommer Simpson - como William Bonner considera o homem brasileiro do século XXI -, imagine então o que pode-se esperar dos programas de domingo à tarde. De fato, o Hommer Simpson é bem equiparável ao cidadão brasileiro no que diz respeito à instrução e conhecimento; visão de mundo. E não é à toa que a Márcia Goldschmidt renova contrato todo ano. "Ora, quem fica em casa segunda à tarde assistindo tv?" O pior, é que nem se alguém quisesse. Os programas vespertinos são absolutamente intragáveis - não que os matutinos o sejam, enfim.
Para que público a televisão brasileira é direcionada? Crianças? Idosos? Classe baixa? Na verdade, até isso é um tanto paradoxal, um grande ciclo vicioso: esse público mais atrelado à tal meio de comunicação assiste aos programas ofertados pela falta de opção e tais programas continuam no ar pela sua audiência. De certo modo, querendo ou não, esses programas mostram o que "o povo gosta"; o que vende: polícia, casos familiares mais mal-resolvidos que os seus, e realitys shows com pessoas mais burras do que nós próprios. Abrindo um parêntese, vou relatar uma lembrança lastimável: Cida, de algum dos BBB's explicando à alguém sobre a Proclamação da República no 7 de setembro (isso mesmo que vocês leram), dizendo que a Princesa Isabel era a mulher do D. Pedro I, por isso assinou a Lei Áurea; aí outro vem e completa: logo após o Dia do Fico. (???????????????????????????????????) O pior é que o Big Brother, por exemplo, já faz parte da cultura popular do povo brasileiro, e eu conheço até gente que nem sai de casa em dia de paredão. Mas fica a pergunta: programas dessa espécie vão ao ar porque o povo gosta ou o povo gosta por que é a única coisa que passa?
Ana Maria Braga de manhã ensina à fazer comidinhas. Metendo Bronca ao meio-dia ensina a fazer barraco. Aí vem o programa da Sônia Abraão falando sobre o Big Brother (?), ou o da Márcia ensinando a falar mentira. A novela das 8 é um parágrafo à parte. Nasceu com o propósito do entretenimento. Mas sinceramente, tem como se entreter vendo sempre o José Mayer como galã e a Helena sempre com o final feliz? A cena repete. A cena não se inverte. Sempre a mesma história: só muda os personagens. Por isso continuo com a minha teoria de que a novela das 8 nasceu na verdade com outros propósitos específicos: além de alavancar sempre renovando o mercado da moda, fazer o Hommer Simpson (ou no caso, a Marge) dormir feliz após um longo dia de jornada dupla. E dá certo. A Rede Globo? Manipula o Brasil. E ainda que fosse só ela... dá certo. Afinal, o canal aberto em suma, está enraizado intrínsecamente ao seu um único propósito: alienar o país. E o pior? Dar certo.

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