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8.11.09

protestantismo liberal x catolicismo conservador

Primeiramente, gostaria de dedicar esse texto ao meu namorado, que me encheu a porra do saco para escrevê-lo. Te amo, námo!
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Pois bem, é 1929 e a bolsa de valores de Nova York quebra. Não só pela concessão de capitais especulativos desenfreados à uma classe média enriquecida pela guerra que assolou o Velho Mundo 12 anos antes; na verdade, os primeiros sinais de crise surgiram em meados dos anos 1920, quando a Europa, já recuperada da Primeira Guerra Mundial, diminuiu as importações de produtos agrícolas dos Estados Unidos. Isso levou muitos agricultores norte-americanos à falência. A indústria também foi atingida pela diminuição das importações, configurava-se assim, uma crise de superprodução.
Durante a guerra, a indústria bélica levantou o país, movimentou uma economia responsável por levar os Estados Unidos ao status de potência mundial. O american way of life era encarado por muitos como o que havia de mais moderno no mundo. Acontece que a economia norte-americana era apoiada sobre alicerces instáveis. E o mundo, ainda não estava pronto para as nuances de um capital especulativo global. Da especulação para a realidade, a utopia do liberalismo econômico finalmente quebrou.
Os protestantes, por sua vez, tiveram que fazer o Estado intervir fundo nessa economia. E essa intervenção veio, e o New Deal de Franklin Roosevelt deu bons resultados. Após a Grande Depressão, passaram-se anos até cair por completo a idéia do welfare state (estado de bem-estar social). Foi na década de 70, a partir da Revolução Técnico-Científica que se voltou a falar no liberalismo econômico. Sob a faceta do neoliberalismo.
A verdade é que os norte-americanos têm fama de serem liberais em tudo, estarem à frente do seu tempo, lutarem contra as guerras (como a do Vietnã e a do Iraque). Mas isso não passa de doce ilusão. O estadunidense adora uma guerra e só luta pelo seu fim, quando está perdendo, quando há grande mobilização midiática. E sinceramente, tem como ser diferente? Ora, a potência norte-americana se constituiu sobre o espectro de duas guerras mundiais; a ideologia democrático-capitalista se expandiu através da guerra fria.
O liberalismo é outra fachada. Liberais até a página dois. Quando isso não fere seus interesses. Cortar fundo os subsídios do etanol brasileiro parece ótimo. Ir de encontro aos acordos bilaterais do Mercosul também. Apóia de corpo e alma organizações como a OMC, mas na hora de suas reuniões levantar o dedinho e abaixar suas tarifas alfandegárias... onde fica o liberalismo dos protestantes?
O Brasil é um país conservador. Fato. Tem tradição católica e sonha com o dia de conquistar sua cadeira permanente na ONU. Não faz caso com a Bolívia na estatização de empresas brasileiras de gás natural só pra ter o apoio total da América do Sul na disputa. Os Estados Unidos, se dizem liberais. Liberais onde? Podem ter tido uma independência precoce, estar na frente do Brasil na abolição da escravatura, ter escolhido tornar-se um Estado democrático de Direito previamente. Têm um sistema eleitoral muito mais avançado que o nosso, e o PIB, nem se fala. Porém, desde quando desenvolvimento quer dizer liberalidade? Onde está toda essa liberalidade no que diz respeito à economia? Cadê o protestantismo liberal no respeito ao mundo islâmico?
Podemos ter inveja da historiografia norte-americana, sim. Ter inveja do que eles fizeram do que fizeram deles. Mas a cultuar um liberalismo que só existe na teoria e querer para si a responsabilidade de tornar o resto do mundo mero agente regulador de seus interesses, prefiro ainda, ficar com meu catolicismo conservador. Os Estados Unidos querem pré-definir o mundo por um padrão criado em Washington - não vejo nada de liberal nisso. Pelo menos, o conservadorismo brasileiro é mais honesto consigo mesmo: prega um culto a um país que ficará conservado no seu estado atual e permanente de "país emergente". E não, à Terra do Nunca.

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