Pages

9.11.10

Gil Vicente


Pelo direito à liberdade de expressão.

27.10.10

Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma.

25.10.10

O mito da "necessidade histórica"

O ser humano, dentro dos limites da sua liberdade, variáveis em lugares e contextos, tem certo livre-arbítrio para tomar as decisões que permearão sua vida - ou tem, em tese, racionalidade para tal. Isso coloca as decisões humanas no foco da narrativa histórica, pois, se o ser humano é formado também pelas suas atitudes, pela maneira como se comporta frente à necessidade de agir, e a história é contada com base no homem, ela também pode ser contada com base nas suas escolhas, nas suas decisões em momentos cruciais, como bem afirma a teoria a qual diz que a história na verdade são picos de acontecimentos relevantes.
Quando a religião anglicana foi fundada na Inglaterra e os puritanos começaram a ser perseguidos, eles podiam ficar e lutar para tentar fazer uma Revolução, podiam se converter ou podiam fugir. Dizer que o povoamento das 13 colônias da América pelos puritanos foi uma necessidade histórica, é desresponsabilizá-los pela escolha que tomaram.
Esse discurso tira a responsabilidade do homem e a coloca no motor invisível da história. Mas, quem faz a história senão o homem? Dizer que os acontecimentos levaram a Santa Inquisição a torturar e matar, considerando a menor manifestação científica, por exemplo, como heresia, é tirar o mérito (ou o desmérito) dos que fizeram esta escolha. Claro, nada pode surgir do nada, as decisões foram sim baseadas nos antecedentes históricos e no que eles pensavam sobre o futuro, mas existem inúmeras maneiras diferentes de reação, justamente pela única peculiaridade do gênero 'Homo sapiens' ser a sua capacidade de se diferenciar, e eles escolheram agir assim. As pessoas não necessariamente têm de fazer determinadas escolhas, ainda que as circunstâncias as tornem mais atrativas sempre existem outras. Sempre existe mais de dois lados da mesma moeda. Não é porque a história foi assim que ela necessariamente teria de ser assim.
Se estamos onde estamos hoje, é sem nenhuma dúvida também pelas escolhas do passado e, portanto, se algo tivesse sido milimetricamente acontecido de maneira diferente, as consequências também o teriam sido, onde talvez nem pudéssemos reconhecer semelhanças com o nosso mundo tal como é hoje. Mas, e daí? Se as outras escolhas nos levariam à outros caminhos, quem pode garantir que eles não seriam melhores? Sinceramente, dizer que as circunstâncias obrigaram o Stálin ou o Franco a perseguir tão ferronheamente seus opositores, ou, como inclusive o Jarbas Passarinho já afirmou, que os militares no Brasil torturaram por uma "necessidade histórica" é legitimar crimes que não necessariamente tinham que ter acontecido - e legitimar práticas semelhantes no presente, para que possam ser justificadas no futuro. É isso que queremos?

24.10.10

Mikhail Baryshnikov volta aos palcos cariocas




O maior bailarino vivo da dança mundial - ainda que ele relute em assumir essa definição -, aos 62 anos, sobe ao palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro nos dias 29 e 30 de outubro ao lado da bailarina espanhola Ana Laguna (54), para apresentar seu mais novo espetáculo de balé contemporâneo "Três solos e um dueto".

Em Três solos e um dueto, Mikhail Baryshnikov e Ana Laguna brilham em um programa de quatro peças. O primeiro é Valse-Fantasie, com coreografia do russo Alexei Ratmansky, no qual Baryshnikov dança o tema do compositor Mikhail Glinka (1804-1857), considerado o pai da música erudita russa. A seguir Ana Laguna dança uma versão de Solo for Two, criada especialmente para ela pelo coreógrafo sueco Mats Ek. O terceiro segmento trás uma nova versão do incensado número Years Later, em que Baryshnikov dança à frente de imagens de si mesmo jovem, em coreografias do francês Benjamin Millepied, o principal nome do New York City Ballet. No encerramento, os dois artistas voltam juntos ao palco em Place, peça de 22 minutos coreografada por Mats Ek, na qual Baryshnikov e Ana Laguna interagem com uma mesa e um tapete, trazendo elementos cenográficos ao centro da narrativa.

Os ingressos variam de 40 à 260 reais e estão à venda na bilheteria e no site da Ticketronic. E oportunidade para ver o primeiro bailarino do Kirov, American Ballet Theatre e New York City Ballet, em uma única pessoa, em duas únicas apresentações no Rio, estão em extinção - por isso, até lá.

21.10.10

Aquarela do Brasil

Ainda sob o mesmo teto de outubro - política -, hoje, corrupção e diplomacia são o foco.

Continuando a linha de raciocínio do texto anterior, sinceramente, não vejo outra forma de melhoria da situação de barganha que impera dentro de nossos órgãos públicos se essa mudança não começar por nós. Eu não entendo (ou melhor, até entendo, mas não deixo de considerar hipócrita) esse discurso de "abaixo os políticos corruptos", se a própria corrupção está tão enraizada no nosso dia-a-dia. Como eu falei no último texto, os caras que sentam nas cadeiras do poder Legislativo são a nossa representatividade, e representam nada mais, senão, do que nós mesmos. Se nós - falo nós no sentido abrangente do brasileiro, que se autodetermina como praticante do famoso "jeitinho" - subornamos nossos policiais, compramos nossas carteiras de motoristas, pagamos para alguém ficar no nosso lugar na fila -ou seja, se nós somos subornadores, corruptos e corruptíveis no nosso cotidiano -, como pessoas em que votamos não iriam ser? Aquelas pessoas são retratos fiéis de nossas práticas, de nossas crenças, de nossas aspirações. É por esse "jeitinho brasileiro" estar tão enraizado na cultura que o nosso Senado é tão podre, que figuras como José Sarney permeiam o poder desde o início do período democrático. Mudanças? Comece primeiro por você. É preciso abolir primeiro a corrupção da sua vida, para querer abolí-la da vida política.

Acho que é consenso que a corrupção manchou o governo Lula, por melhor que ele possa ter sido. Mas não só a corrupção foi holofote constante do governo como, ainda mais, a política de boa-vizinhança de nosso Presidente. O ponto que quero trazer é que em primeiro lugar, existe uma aspiração à uma tão sonhada cadeira permanente na Organização das Nações Unidas, e em segundo, existe tudo que o Lula em nome dessa cadeira, fez de 2002 pra cá.

Estatização do gás natural brasileiro pela Bolívia em 2008. O que o Presidente fez? Nada - ele precisava do apoio de toda a América do Sul para conseguir a cadeira da ONU. Os Estados Unidos invadem o Haiti em "missão humanitária" - assim como o era no Iraque. O que o Lula faz? Manda soldados brasileiros espalharem a guerra e tornarem ainda mais escassos os alimentos e os recursos naquele país. Aumentam o caos. Os relatos e as estatísticas são péssimos. Até acusados de abusos sexuais já foram. Lula comete no Haiti um de seus piores crimes. O Brasil revela o papel de sub-metrópole que cumpre no continente, de um país explorado que ajuda a explorar a situação de outro ainda pior. Por que as tropas ainda não bateram em retirada? Pelo mesmo motivo que os soldados americanos ainda povoam o Iraque: tudo a serviço do imperialismo ianque. E da tal cadeira redentora da ONU.

Nos últimos meses surgiu o espetáculo que foi as tentativas de pactos com o Irã pelo Presidente. Deixando de lado um discurso de não-desenvolvimento de armas nucleares por determinados países, em detrimento de outros que tudo podem e tudo devem, ninguém deveria concordar em uma sanção hipócrita ao Irã pelo país que mais produz armas nucleares do mundo. Mas à parte disso, e tentando pensar por um outro lado, indo agora de acordo com a opinião de Plinio de Arruda (assumidamente o candidato que obteve meu voto no 1º turno dessas eleições), o que foi fazer o nosso Presidente, senão, ir ao Irã por causa do imperialismo norte-americano tentar selar uma paz e provar para os nossos "amigos" ianques que a nossa diplomacia é forte e que justamente por isso merecemos a cadeira da ONU? O único problema foi o fracasso da missão, que além de ter diminuído a popularidade do Lula no cenário nacional e internacional, de nada adiantou. Ahmadinejad sofreu a sanção prevista. E o que ele fez? Continuou a produzir ainda mais energia nuclear. E sabe de uma coisa? Tinha mais é que ter feito.
Em suma, o que quero deixar no ar ao final de meu texto é: o que ainda falta fazer para nos tornamos membros-permanentes da ONU? E até que ponto vale à pena o fazê-lo? Que interesses países como Estados Unidos, China, Rússia, França e Inglaterra têm em nos tornar? Será que essa cadeira não passa de uma construção imaginária muito cara para um país que já tem tantos problemas internos - e tanta corrupção - como o nosso?
Tudo nos leva a crer que sim.

20.10.10

Foucault

"De fato há duas espécies de utopia: as utopias proletárias socialistas que têm a propriedade de nunca se realizarem, e as utopias capitalistas que têm a má tendência de se realizarem frequentemente."

19.10.10

A ditadura da maioria

Tenho tanta coisa pra falar que não sei nem por onde começo. Todo mundo que lê isso aqui sabe do meu interesse por política, e período de eleição, é prato cheio pros aspirantes à jornalistas políticos de plantão como eu. Vou escolher então, começar meu texto dessa madrugada falando sobre o que mais me incomoda nas nossas eleições ditas democráticas: a influência dos meios de comunicação de massa sobre as mesmas.
Foi um verdadeiro absurdo essa distribuição do tempo da propaganda eleitoral no 1º turno. 8 minutos pra candidata do PV ficar mostrando golfinhos e baleias na televisão, enquanto partidos como PSOL, PSTU e PSDC se comprimiam pra falar de suas propostas em menos de 2 minutos. Que democracia é essa? Como um candidato pode chegar ao poder de fato com essa distribuição, tendo que falar todo o seu projeto de governo em alguns segundos? Desde quando intenção de voto e representação parlamentar devem dar os ditames da democracia?
O mesmo aconteceu nos debates. Eram 9 candidatos. Alguém aí sabe o nome de mais de 5? Na entrevista do Jornal Nacional, por exemplo, o tempo dos candidatos era de acordo com a intenção de voto. Repito: que democracia é essa? Se o acesso aos meios de comunicação não é igualitário, como a escolha pode ser? É um ciclo vicioso, os candidatos que começam com baixa popularidade parecem nunca poder reverter essa situação. E por causa de quem? Em grande parte, por causa da mídia, que teoricamente, deveria ser imparcial. Agora no 2º turno, o tempo finalmente é igual, também, pudera, já não era sem tempo. Ou melhor, era pra ser assim o tempo, e desde o início.
E se a democracia é o acesso à todos ao poder porque tanta indignação pelo Tiririca ter sido eleito? Ora, esse foi o regime que escolhemos. Cada povo tem o governo que merece, meus amigos. Os caras que ocupam as cadeiras de nossas Câmaras, do nosso Senado, nada mais são do que um retrato de nós mesmos. Ou do que confiamos. Eu, por exemplo, fico muito mais indignada vendo Paulo Maluf e Jader Barbalho (que já tiveram suas chances e se mostraram grandes ladrões) se reelegerem do que figuras como Tiririca. Por que tanto preconceito com um cara que ainda nem assumiu? Pelo menos, ele é o único cujo figurino condisse com o discurso. Ele escolheu tal discurso justamente por isso, e se ele tiver proposta?
Aí me vem um cara como o imbecil do Felipe Neto me falar dele e de política no youtube. Primeiro, alguém por favor, avisa pro Felipe que o Executivo não governa sozinho? Que existe uma coisa chamada tripartição de poderes e que Presidente nenhum pode fazer alguma coisa sem o apoio maciço do Legislativo?
E ele vem reproduzir no youtube - um dos maiores meios de comunicação hoje - justamente o senso comum: que o voto do outro é burro. Que o eleitor não sabe o que quer, vota por esmola e não por quem realmente vai melhorar o país. Pra começar, desde quando existe uma fórmula para medir se o voto foi consciente ou não? O que exatamente determinaria isso? É muita hipocrisia você querer achar que só quem vota no seu candidato sabe de alguma coisa. Tem o cara que vota porque o candidato diminuiu a fome no país. Isso é errado? Todo mundo só fala em "educação, educação e educação", mas quem consegue estudar com fome? Ao meu ver isso também é uma forma de melhorar o Brasil. O outro vota porque o candidato criou o genérico. E aí? Esse voto não é consciente? Quando alguém me provar que existe uma única fórmula para melhorar o país eu páro de escrever. A minha proposta para melhorar é diferente da sua, diferente da de alguém que mora no Acre, diferente de alguém que mora do Rio Grande do Sul... e aí? Qual a certa? Só em educação, por exemplo, existem mil fórmulas: estatizar, aplicar 15% do PIB, ou simplesmente capacitar mais os professores. "As pessoas não votam em quem realmente vai melhorar o Brasil." Como você sabe? E se o candidato que a maioria vota tiver um modo específico de melhorar o país que elas acreditam, mas, você não? 'Melhorar o Brasil' é tão abrangente quanto a palavra Deus na infinitas religiões que existem, e enquanto não tiver uma fórmula única e imutável para isso, esse discurso é vazio.
É exatamente isso que o discurso do humorista Felipe Neto é: vazio. Qualquer pessoa que tenha mais de 13 anos, que tenha estudado política, ou que saiba alguma coisa sobre Constituição deveria saber disso, e não ficar idolatrando o que parece óbvio. Votação é uma coisa muito subjetiva, justamente por revelar valores subjetivos. O problema é que ninguém parece entender que as verdades não são excludentes, todos querem que as suas convicções sejam aceitas por todos, ninguém percebe que não existe uma convicção melhor que outra: é tudo questão de ponto de vista.
Mas é isso aí, vamos continuar falando mal do voto do outro. Vamos continuar achando que o eleitor é burro, que os outros 200 milhões não sabem de nada e que a gente é que sabe. Só aprenda que na democracia ninguém persegue um bem comum utópico que na verdade nem existe, até pelas discrepâncias absurdas entre os seres humanos; muito menos chega-se num consenso, impossível tendo em vista essas mesmas discrepâncias e a diversidade do país. A democracia é simplesmente isso - a ditadura da maioria, pois, sempre será a maioria que irá eleger nossos representantes. E se queremos mudanças, devemos começar primeiro por nós mesmos, afinal, como eu já disse, cada povo tem o governo que merece.

10.8.10



John Lennon e toda fragilidade perante sua mulher.

E dessa forma, Anne Leibovitz, consegue retratar exatamente o que quer.

Genial, como sempre.

22.7.10

Ou pensa, ou vive.


Morri! Morri e não me avisaram! Morri e não me enterraram! Que diabos aconteceu comigo? Esse lugar escuro, essa parede sem muro. Eu morri!

Eu não quero ouvir, pois eles ainda falam comigo a mesma porcaria de sempre. Mas por que razão insistem em falar se já não respiro? E como penso nessas frases se já não existo?


Existir é pensar ou pensar é existir?

Nem um, nem outro.


Se você morre, você não pensa. Se você pensa, não vive.

20.7.10

Após muitas tentativas frustradas, notei a impotência do ser humano em se tratando de definições. Há muito busco em palavras descrever os mais diversos sentimentos, as mais ousadas sensações. Talvez a vontade de entender tais aspirações, me faz querer transcrever para o papel tudo aquilo que me empolga, o que me dói, o que me excita ou o que me anula.
Sentir-me viva é o que busco ao deslizar por dentre essas linhas. Nem sempre consigo, porém são nessas frustrações que encontro respostas. Respostas para perguntas que já não faço. Soluções para os problemas dos quais eu fujo.
Se a vida é feita de cuidados, não hesito ao me atirar nesse mar de tentativas. "Definir-se é limitar-se”, logo, desisto de fugir diante as rédeas da definição do sentir e apenas sou-me. Sem mais, nem menos. Tentando somente encontrar-me nesse infinito embaraço.
Se me ouço, hesito. Se hesito, não me reconheço. Vivo de contratempos, de entrelinhas, de impulsões. Alimento-me com palavras, com o frio e com anseios. Sinto nostalgia de uma ausência desconhecida – que sempre se faz presente- e também da presença daquilo que jamais vivi. Fruto do que me espera. Do que um dia eu queria ter sido, mas não fui. Fruto de um futuro que foge às regras e não espera o amanhã.

13.7.10

E onde fica a história do "pra frente Brasil" agora?

Se o assunto é Copa, então vamos falar de Copa. Outro dia, andando pelo MASP, vi um panfleto mais ou menos com esses dizeres: "Copa do Mundo: Aumento da rivalidade entre os povos, simples meio de expansão do consumismo pela promoção assustadora das marcas, alienação nacional, patriotismo transitório. O Brasil vai ser hexacampeão, e o que você vai ganhar com isso?" Sabe, na mesma hora me deu vontade de escrever sobre minha opinião a respeito. Em primeiro lugar, o que a Copa do Mundo definitivamente não trás, é o aumento da rivalidade entre os povos. Muito pelo contrário. Tráz integração, promove união, agrega culturas. Imagine só, é o único evento (sem considerar as Olimpíadas que é em escala bem menor) que reúne gente de todos os cantos do globo em um só território, falando a mesma língua (esse ano, a das vuvuzelas), com um mesmo objetivo: torcer. E quando sua seleção perde, a maioria das pessoas acaba torcendo para outras, aumentando ainda mais a integração, o sentimento de afeição entre as nações. Por exemplo, quem não torceu pra Gana depois que o Brasil saiu da Copa? Quem não queria tá lá na África nesse fervilhão cultural que aconteceu nesses últimos dias??

Em segundo lugar, promoção do consumismo, é óbvio. As multinacionais não perdem uma e não era logo essa que iam perder. Mas quanto a isso, não vejo também maiores problemas: esse é o nosso mundo capitalista. O duro é ter que concordar com as duas últimas acusações do panfleto. 1. Alienação nacional - fato. Sinceramente, não entendo porque as pessoas dão tanto valor à Copa aqui no Brasil. Só por que somos bons no futebol? E no que não somos? Olha, isso pode até ser positivo por um lado, mas por outro, tráz alienação a todos os outros problemas do país. Por exemplo, por que será que as eleições presidenciais são sempre em ano de Copa? Coincidência? Com certeza não. É que as pessoas ficam tão preocupadas com a Copa do Mundo que esquecem que esse ano tem eleição. Ficam tão preocupadas que esquecem de todo o resto que se passa no Brasil. Aliás, as pessoas sempre se esquecem, mas essa época parece que piora. Acho que eu percebo isso em parte por ficar indignada ao ver como o brasileiro consegue ser tão entusiasmado pra uma coisa, sendo tão apático para todas as outras. É aí que a gente entra no último ponto: patriotismo transitório, o tal patriotismo de fachada.

É impressionante. Chega em Copa do Mundo, todo mundo compra roupa verde e amarelo, hasteia bandeira nas suas casas, pinta a rua, sai gritando pra todos os cantos que é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. É engraçado ver como um povo completamente apático, que teve todos seus direitos concedidos e não conquistados, que não respeita suas instituições, que usa o tipo de cidadania relacional, e que em 510 anos de história nunca conseguiu nada sem a ajuda da elite, consegue se mobilizar tanto por uma coisa. Consegue respeitar tanto alguma coisa. Pessoas que não querem nem ouvir falar dos problemas do país, que não tem nem consciência da sua história, colocam um verde e amarelo e pronto. Sentem orgulho de ser brasileiro. Sinceramente, acho até bom que o Brasil perca pra que as pessoas vejam que futebol não é tudo. Eu fico muito mais indignada ao ver que o Brasil só perde pra Guatemala e Suazilândia em termos de distribuição de renda, do que ver ele perdendo pra Holanda em umas quartas-de-final. E as pessoas que morrem de fome todos os dias?

Sabe, a pequena diferença, a sutil diferença, é que eu não estou dizendo pra gente não torcer, até porque isso é só um jogo. É uma diversão. Eu estou apenas fazendo uma crítica ao modo como o brasileiro consegue ser tão apático pra algumas coisas e tão mobilizador pra outras, por isso às vezes assumo esse tom sensacionalista. Por que não esse entusiasmo todo também pra tentar ajudar a reverter a situação do país? Recebi várias críticas esse último mês de gente dizendo que parece até que eu não estava torcendo. Não é que não estivesse, é que o meu patriotismo é muito mais que isso. Patriotismo pra mim, não é vestir verde e amarelo dia de jogo do Brasil, você pode até fazer isso, contanto que você seja verde e amarelo, por dentro. É aí que tá a diferença! Patriotismo pra mim é se preocupar com os problemas do país, tentar ajudar a melhorar as condições de vida por aqui. As pessoas vão votar pra presidente sem nem saber as propostas de reforma tributária, por exemplo, dos dois candidatos! Mas do jogo do Brasil, todo mundo sabe. Torcer? Sempre. Mas não só isso.

Um exemplo bem típico do que acontece: ao final do jogo Brasil x Holanda, vejo várias pessoas falando na rua coisas do tipo "Eu não sou Brasil, eu sou Flamengo mesmo!", ou, "Ainda bem que eu sou Holanda!!". De brincadeira ou não, isso ilustra bem o que Nelson Rodrigues veio a chamar de "Pátria de chuteiras", e com o que quis dizer em grande parte do meu texto. Por fim, se o Brasil tivesse ganhado a Copa, de fato, o que isso mudaria na sua vida? O que mudaria na vida dos 190 milhões de brasileiros? Tirando os jogadores que iam ganhar 600 mil reais cada um, o povo brasileiro continuaria do mesmo jeito: apático e marjoritariamente, pobre. É aí que eu pergunto: a Copa acabou, mas e o patriotismo, também?

3.7.10

redistribuição x reconhecimento

A idéia pra esse texto surgiu de um artigo, um dos milhares que li nesses últimos meses, mas que apresentava uma visão muito inovadora e coberta por uma teia de significados muito pertinentes, nunca analisados por mim até então, sobre um tema do cotidiano: a concessão de direitos diferenciados para determinadas classes de pessoas, algumas vezes tentando reverter diferenças históricas, outras, procurando buscar uma igualdade, através de medidas desiguais. São essas políticas, a existência de cotas para negros em universidades, leis como a Maria da Penha, concessões de bem-estar social.
A conversa é mais ou menos a seguinte: segundo a autora Nancy Fraser, existem dois tipos de injustiças na era pós-socialista. São elas, as injustiças econômicas e as injustiças culturais. As primeiras, requerem remédios transformativos, as segundas, afirmativos. Explico. O remédio para injustiça econômica é reestruturação político-econômica de algum tipo. Isso poderia envolver redistribuição de renda, reorganização da divisão do trabalho, sujeitar investimentos à tomada de decisão democrática ou transformar outras estruturas econômicas básicas. Já o remédio para injustiça cultural, em contraste, é algum tipo de mudança cultural ou smbólica. Isso poderia envolver reavaliação positiva de identidades desrespeitadas e dos produtos culturais de grupos marginalizados.
O primeiro tipo de injustiça, requer redistribuição, o segundo, reconhecimento. Até aí tudo muito bem, o problema se torna, quando os grupos são ambivalentes. É o caso de injustiças referentes a gênero e raça. Gênero é um modo ambivalente de coletividade por conter uma face político-econômica que o traz para o âmbito da redistribuição. Mas também contém uma face cultural-valorativa que o traz simultaneamente para o âmbito do reconhecimento. Claro que as duas faces não estão claramente separadas uma da outra. Ao contrário, elas se entrelaçam para se reforçarem mutuamente de forma dialética, já que normas androcêntricas e sexistas são institucionalizadas no Estado e na economia, fazendo com que as mulheres lutem pela transformação dessas normas, reconstruindo-as, redistribuindo de uma maneira em que provem não haver diferença entre sexos. E a desvantagem econômica das mulheres restrige sua voz, impedindo a participação igual na fabricação da cultura, em esferas públicas e na vida cotidiana, o que faz esse mesmo movimento precisar de políticas de reconhecimento para se autoafirmar. A questão é que essas duas políticas vão em direções opostas. Enquanto uma destrói uma diferença, a outra constrói através da autoafirmação. O que fazer então?
É aí que está a chave da questão. Os remédios de reconhecimento afirmativos tendem a promover diferenciações entre os grupos existentes. Já os remédios de reconhecimento transformativos tendem, no longo prazo, a desestabilizar as diferenciações para permitir agrupamentos futuros. Remédios afirmativos para a questão racial têm sido historicamente associados ao Estado de Bem-Estar liberal. No caso tenta-se superar a má-distribuição de recursos feita pelo Estado, enquanto deixa-se intacta a estrutura político-econômica subjacente, com é o caso da política das cotas. Ao deixar intactas as estruturas profundas que geram a desvantagem racial, o Estado deve fazer realocações contínuas. O resultado não é apenas sublinhar a diferenciação de raça, mas também marcar as pessoas de cor como deficientes e insaciáveis.
O que, então, pode-se concluir desta discussão? Tanto para gênero como para "raça" e para todas as categorias igualmente ambivalentes, o cenário que mais escapa do dilema de redistribuição/reconhecimento é o socialismo na economia e a desconstrução na cultura. Mas para ser psicológica e politicamente viável, este cenário requer que todas as pessoas sejam removidas de seus compromissos com as construções culturais correntes de seus interesses e identidades. Aqui, não se fala em multiculturalismo, multietinicidade... se fala em UMA só cultura, onde a individualidade seria respeitada acima de qualquer estereótipo de "gay", "negro, "mulher". Para isso, esses movimentos de afirmação e leis protecionistas que eclodem a toda hora, deveriam primeiro, se extinguir, justamente por representarem questões imediatas, que a longo prazo podem estar acentuando ainda mais essa diferenciação, os tornando como insaciáveis. Para Nancy Fraser, seira preciso desconstuir a diferenciação por gênero, por cor... e não, afirmá-la.
Minha profunda opinião a respeito, é que tudo isso seria muito bonito se não fosse também, extremamente utópico. Uma coisa, são os judeus, favorecidos economicamente, desconstruírem a idéia de anti-semistismo espalhada pelo mundo na Segunda Guerra. Outra, são os negros, escravizados desde muito tempo, desfavorecidos historicamente falando. Pior ainda, as mulheres, submissas desde as sociedades cuneiformes, que sempre dependeram do homem para viver. Que poder esses grupos têm para resolver essas injustiças, se não através de políticas de reconhecimento, autoafirmação perante à sociedade? E cá entre nós, se a gente pode falar em desconstrução hoje, é porque muito já se vez através de políticas de reconhecimento. Não é o melhor caminho, mas já é algum. Agora, temos de convir: se os movimentos se preocupassem mais em desconstruir do que se autoafirmar, o caminho ao impossível não estaria tão distante assim.

26.6.10

Apesar de você?

Eu estava postergando escrever sobre esse assunto há um mês mais ou menos, justamente pela quantidade de idéias na cabeça e tantos temas para serem abordados sob o mesmo teto. Mas, ao final de 20 horas de palestras sobre o assunto, o texto tinha que ser organizado. É uma das minhas maiores campanhas (não é nada difícil acertar), e hoje, justamente, quero começar um debate sobre a abertura dos arquivos da ditadura militar.

Há um pouco mais de 20 anos, a lei de anistia vinha colocar fim ao período mais obscuro da história do Brasil - que já é por si só obscura. O primeiro ponto, é: se ainda hoje, a vigência dessa lei contém em si o princípio do perdão e do esquecimento, como podemos de fato, perdoar algo que nem conhecemos? A campanha reacionária por parte do governo à campanha da OAB-RJ pela abertura, contou com os argumentos mais pífios possíveis. A decisão foi vetada pelo Supremo Tribunal Federal em 28 de abril, por uma votação de sete votos a dois. A decisão final, do presidente do Supremo, César Peluzo, destacou os principais pontos: 1) a anistia foi um acordo bilateral com forte aprovação popular; 2) foi "ampla, geral e irrestrita"; e 3) uma tal revisão não seria cabível ao Judiciário e sim, ao legislativo.
Em primeiro lugar, querido Ministro, essa é uma visão completamente deturpada dos fatos. A população brasileira não tinha nem liberdade de expressão ou de imprensa para manifestar sua opinião. Uma cúpula formada por juízes e advogados não pode ser considerada a vontade da nação. Além disso, como se falar em pacto bilateral, em validade desse “contrato”, se o outro lado, o lado dos militantes, parte tão importante para o pacto ser considerado bilateral, estava sendo torturado, exilado, morto e coagido? Negócio realizado mediante coação é anulável. Mas do que cabível, então, uma revisão na lei.

Em segundo lugar, a “anistia, ampla geral e irrestrita” só aconteceu imediatamente e totalmente eficaz aos militares, ao passo que muitos esquerdistas ainda ficaram presos e exilados por um bom tempo.

E o terceiro ponto já é bem típico: como sempre no país os poderes atiram seus casos uns para os outros, sem nunca resolver o conflito. O que o caro Ministro precisa entender é que crimes de lesa-humanidade não podem ser incutidos em leis de anistia! Levando em consideração que o Brasil está subjugado à jurisdição internacional, e que existe todo um calabouço jurídico-político afirmando que leis de anistia não podem ferir os direitos humanos, ou seja, crimes de torturas e de desaparecidos, qual a validade dessa lei aos crimes de lesa-humanidade mais de 20 anos depois?

Um dos argumentos também utilizados foi o fato desse acordo ter sido baseado no perdão, um reflexo de conciliação, caminho pelo qual os dois lados optaram. Não haveria, portanto, espaço para revanchismos. Nesse aspecto, é preciso salientar, que além das condições sob as quais o lado dos militantes estava (como já foi explicitado acima), isto não é uma questão de revanchismo. A proposta é apenas tomarmos conhecimento do que de fato aconteceu: instaurar um inquérito da verdade, é uma questão de justiça apenas, e não está incluso na pauta nenhuma forma de punição penal. É revanchismo você querer saber quem matou seu filho?


Ainda quero esclarecer uma coisa que se ouve muito por aí: a idéia de que se os militares matavam e torturavam, os militantes de esquerda também. Se existia uma ditadura militar, a esquerda apenas queria trocá-la por uma ditadura comunista. A resposta é sucinta. Primeiro, como diria o pensador liberal John Locke, a luta armada é legítima se um governo não consegue garantir direitos fundamentais, amparados pelos princípios da liberdade, dignidade da pessoa humana, igualdade - o que, de fato, não aconteceu durante o período da ditadura militar. É bom observar que o golpe foi em 64, e a luta também começou no mesmo ano, porém, a luta armada começou efetivamente apenas em 69. A luta armada era portanto, de resistência aos usurpadores do poder, e se tornou efetivamente legítima em razão do antecedente. Outro ponto é que ainda que a esquerda o fizesse fora do aparato coercitivo do Estado (muitas vezes para trocar reféns por seus companheiros presos, como foi o caso do embaixador norte-americano), o direito não podia legitimar mortes e torturas através desse aparato, pior ainda, com o dinheiro do contribuinte. Sem falar que os números das mortes divulgadas pelo Estado (aproximadamente 400) não podem ser consideradas dados fiéis, pelo próprio interesse que o mesmo tinha de encobri-las. Por fim, sobre a instauração de uma ditadura comunista, ainda que existisse uma minoria comunista no lado dos militantes, todas as suas propostas fincavam raízes em torno de uma abertura política e retomada democrática através de meios constitucionais, e não há provas que garantam o contrário.

Chegando ao final de meu texto, faz-se necessário também esclarecer outro ponto:

A ditadura no Brasil foi branda?

Bem, se levarmos em consideração que no Chile de Pinoché, o regime matou mais de 100 mil, na Argentina 30 mil e na Espanha 114 mil, em uma visão equivocada poderíamos até achar que sim. Porém, em primeiro lugar, é preciso levar em consideração que não deveria ter morrido uma só pessoa sob a guarda do Estado, em segundo, que vidas humanas não podem ser comparadas numericamente, todo homem é um fim em si mesmo. Por último, outro dado importantíssimo, pois, das dezesseis ditaduras militares instauradas na América Latina pela operação Condor (apoio norte-americano à guerra suja na América Latina), o Brasil foi o único país que após o seu término, não instaurou um tribunal de conciliação e verdade, ou de verdade e justiça. Houve tribunal até na África do Sul após o regime do apartheid! É o único país onde ainda há controvérsias sobre o que acontecera, onde ainda há espaços para conversas que dizem que a tortura era exceção, não a regra.

E então, afinal, ainda há esperanças para essa causa? Sim. Já que o Brasil só funciona sob pressão internacional, as famílias dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia entraram com um pedido à Corte interamericana de direitos humanos de instauração de inquérito, para que saibam efetivamente o que aconteceu com seus parentes e onde estão os seus corpos. Querem justiça aos responsáveis, querem conhecer seus nomes. O primeiro julgamento da corte, realizado dia 20 de maio de 2010, contou com a presença de entes familiares das vítimas e do Estado brasileiro. O discurso que mais chocou foi o do representante do ministro da defesa Nelson Jobim, Paulo Sérgio Pinheiro, que intimidou a corte falando aos juízes para terem o cuidado de tomar uma decisão que o Brasil vá poder cumprir, pois a decisão do STF estava acima de tratados internacionais. Sua audácia impressionou à todos, mas a reação da corte fora imediata: alegaram que o Brasil assinou tratados e que está sob a guarda daquela jurisdição, não cabendo mais retrocesso. Suas relações para com a mesma, não permitem nenhuma forma de descumprimento de qualquer decisão que seja tomada. Durante esse argumento perante à Corte, o representante da Argentina, chegou inclusive a falar que isto era bem típico do “jeitinho brasileiro”, e vamos convir, de maneira alguma, deixando de faltar com a verdade. O resultado do julgamento deve sair em novembro.

A grande questão é que a gente ainda se choca com aqueles que governam o nosso país. Nelson Jobim afirmou ainda, que mexer na anistia era reabrir feridas velhas sem ganhar nada em troca. Para Aldo Rebelo (PC do B), o Supremo "interpretou a vontade nacional, que é a vontade da conciliação, da construção do futuro". Mas como construir um futuro sem conhecer um passado que se reverbera no presente? É preciso entender que a importância maior de sabermos o que aconteceu é que somos seres históricos, fruto de nossas práticas. Com esse esquecimento, nossa subjetividade mal-formada não permite que aprendamos com nossos erros, para construir de forma justa nossa história, sem repetir os erros do passado. São por casos como os quais aconteceram durante a ditadura, que ficaram impunes, que a tortura ainda está presente no nosso sistema carcerário e na vida de nossos policiais. É uma relação de causa e efeito, onde a certeza de impunidade, a falta de exemplos de justiça, gera cada vez mais injustiças. Estamos repetindo os erros do passado, por não termos tirado essa história à limpo; não termos ainda, resolvido-a. É aquela idéia lógica de que o presente não cessa de passar e o passado não cessa de ser: se a história do suicídio de Wladimir Herzog em uma janela de 1,70m (ao passo que o jornalista possuía 1,90m) é engolida até os dias de hoje, porque o suicídio de um menino na cela penitenciária de Cabo Frio (com marcas “misteriosas” pelo corpo), não o seria?


Enfim, às vezes a impressão que tenho é que a justiça no Brasil caminha para trás, tem uma das Constituições mais bonitas do mundo na teoria, mas na prática não acompanha a evolução dos países ocidentais. A justiça nesse país funciona como um muro de borracha: uma realidade que na tentativa de superação de obstáculos, acaba-se voltando a um patamar ainda mais inferior do qual se estava. A frase de Mário Quintana "A justiça é cega. Isso explica muito coisa." parece até ter sido feita para os ilustríssimos ministros do nosso Supremo, que em 40 anos, nunca conseguiu condenar um só político! E 20 anos depois, onde ficou a história do "você vai se dar mal, etc. e tal"?. Em suma, em um país que só vai às praças para comemorar a Copa do Mundo, nós temos que nos esforçar bastante para acreditar que somos mais que uma pátria de chuteiras.

29.5.10


É revanchismo condenar quem fez isso?

26.5.10

40 coisas para fazer antes de morrer

- aprender a tocar piano
- pular de pára-quedas
- pular de bungee jump
- fazer um piercing na língua
- ter um cachorro (Rodin ou Aspargos)
- melhorar meu inglês
- aprender a falar espanhol
- aprender a falar francês
- terminar a teoria existencialista
- descobrir o mistério do buraco negro
- entender a teoria da relatividade na íntegra e finalizá-la
- fazer história
- fazer filosofia
- conhecer todos os continentes
- morar um tempo na França
- fazer curso de vinhos
- voltar definitivamente pro ballet
- Ir pra Nova Zelândia
- participar da ONU
- promover a reforma agrária
- me filiar ao greenpeace
- salvar uma baleia
- plantar uma árvore
- descobrir a cura pra AIDS
- conhecer o Johnny Depp
- tocar violão melhor
- fotografar uma guerra
- ganhar o Prêmio Nobel da Paz
- escrever a continuação das Cartas Chilenas
- jogar uma bomba atômica em Washington D.C. (brincadeira, hehe)
- participar de uma revolução
- descobrir quem eu sou
- descobrir pra onde vou
- conseguir provar como o mundo surgiu
- ver Los Hermanos lançarem mais uns 20 álbuns
- Ir nas ruínas de Machu Pichu
- casar com Bruno Fernandez
- ter filhos
- morrer feliz




- sair da internet e ir estudar

22.5.10

ô morena do mar, oi eu, ô morena do mar
ô morena do mar, sou eu, que acabei de chegar
ô morena do mar, eu disse que ia voltar
ai, eu disse que ia chegar
cheguei

Sobre a ampliação dos direitos da personalidade

Bem, já não era sem tempo de mostrar um pouco do meu lado jurista por aqui. O que quero falar nessa madrugada é sobre um assunto trivial: até onde o âmbito do direito da personalidade pode chegar. Banalização dos danos morais, é do que quero falar.
Primeiro, é necessário remontar a um contexto histórico bem próximo, onde até pelo menos fins do século XVIII não existia garantia nenhuma sobre a integridade psíquica ou moral do indivíduo. Duzentos anos depois, com um aumento exponencial da regulamentação jurídica devido possivelmente ao minguamento de instâncias sociais outrora tidas como incontestáveis (como a religião, a família, as corporações etc.), que serviam, sutilmente para mediar os conflitos, fala-se em dano moral até por uma alteração de voz, mínima que seja.
A questão é: até que ponto o Estado pode influir nas relações privadas determinando qual foi o grau de integridade atingido, se é que o foi? E quanto vale a sua integridade?
Afinal, já se tornou banal pensar em uma retaliação por fins monetários. E muitas vezes, as questões nem chegam aos tribunais: "Ah, me dá uma quantia 'x', que fica tudo bem!" Acho tão engraçada essa venda da dignidade da pessoa humana, tão valorizada em nossa Constituição...
É muito complicado pensar que o direito pode determinar se você foi humilhado ou não. Falta de afeto, por exemplo, é cabível no âmbito jurídico? Lógico que não! Mas não falta muito para isso também ser mais um papel do Estado e abarrotar ainda mais os arquivos judiciários. Na verdade alguns tribunais de primeira e segunda instância, inclusive, já estão julgando como se assim o fosse. Não duvidaria nada de daqui há alguns anos estar presente nas Súmulas do STF.
Dentro do direito moderno, seria até amparável defender os acusados do caso Nardoni por toda a exposição que a mídia fez das suas personalidade antes da sentença do conflito, por exemplo. Os acusados do caso João Hélio Fernandez, também. Você os defenderia? Fazendo um parêntese a um outro assunto, ainda que você dissesse não, se eles fossem absolvidos e requeressem o processo, alguém teria que fazer esse papel, e pode ter certeza, alguém o faria. Sem dúvida que também não seria eu, mas é em grande parte porque existem tantas pessoas as quais fazem estardalhaços desnecessários sobre eventos mínimos que poderiam ser resolvidos no diálogo, ou que não cabem ação estatal, que os processos são tão intermináveis no Brasil.

19.5.10

E viva o Irã!!!!!


Se os Estados Unidos, Rússia, China e todos os países membros-permanentes da ONU podem desenvolver sua energia nuclear para fins pacíficos, alguém me explica POR QUÊ o Irã não pode??
Como disse a candidata à presidência Dilma Roussef: "A tentativa de construir um caminho em que haja o abandono de armas nucleares como armas de agressão e passe a ser pura e simplesmente pacífico o uso da energia nuclear é bom para o mundo inteiro."
Eu odeio muito essa idéia ocidental de querer transformar o Oriente Médio povoado por um bando de loucos radicais que querem explodir o mundo a qualquer custo.
Se cada Estado é soberano de si, então todos são iguais no âmbito do direito internacional. Se ninguém pode ter bomba atômica, então, que ninguém, sem exceção, o tenha (e isso inclui os imperialistas que acham ter poder onisciente e onipresente sobre mundo). O Brasil não concorda em transformar o Irã em uma região conflagrada. E tem a coragem de se impor ao imperialismo e sua visão preconceituosa sobre o mundo muçulmano. Faz certo.
Ponto pro Lula e todos os seus derivados na corrida eleitoral.

14.5.10

Poliandria

Aposto como você nunca ouviu falar nisso, não? Pois é, mas na poligamia você já deve ter ouvido falar. No mínimo... curioso.
Tudo começou com um simples estudo na madrugada de ontem sobre as sociedades sem escrita. A chamada pré-história da humanidade. A poligamia era uma de suas características, mas não exclusividade; a poligamia era praticada também nas sociedades cuneiformes, egípcia, islâmica e muitas outras até hoje no nosso mundo contemporâneo. A grande singularidade estava na poliandria.
Eu estava justamente divagando sobre o quanto o poligamismo é injusto - tá certo que o homem só pode ter a quantidade de mulheres que puder sustentar, mas porque os casamentos não-monogâmicos sempre pressupõem o homem poder ter várias mulheres, e nunca o contrário??? -, até que descobri o poliandrismo nessas sociedades, onde também era permitido que a mulher tivesse vários maridos. Achei o máximo! Comecei a pesquisar freneticamente e descobri que ainda hoje existem sociedades no himalaia onde existe essa prática. O estudo das sociedades é uma coisa tão interessante... história na verdade é tãão fascinante....
A parte ruim é que ainda nessas sociedades pré-históricas, a mulher ter vários maridos ainda sim não significava poder ao sexo feminino. Muito pelo contrário. Isso ocorria no caso em que um único homem não conseguia sustentar uma mulher, e vários homens precisavam se reunir para sustentá-la. Logo, significava que a mulher era submissa a mais de um homem, já que tinha mais de um marido. Caprichos da história...

4.5.10

Arquivo militar, fez bem a vida em lembrar.

A OAB-RJ começou em janeiro uma campanha com o intuito de pressionar o governo federal a abrir os arquivos da ditadura militar. Parece que finalmente alguém ouviu uma das minhas maiores campanhas. E já não era sem tempo. Afinal, qual o própósito da lei de anistia em um país que se diz liberal-democrático?

Ainda dá tempo de participar, assine também o abaixo assinado, um país que não conhece a sua História está fadado a repetir os erros. Arquivos da repressão já! As famílias têm esse direito. Será que essa tortura nunca vai acabar?




http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp

Assista também os vídeos da campanha no site.

3.5.10

inventando o neofeminismo

Há alguns séculos que a mulher já vem buscando seu espaço perante a uma sociedade extremamente machista e preconceituosa. Foram anos incessantes de luta, repressão desde os tempos da guilhotina chegando até às cadeiras elétricas. Sequestros misteriosos, execuções presumíveis. Foram muitas batalhas a serem conquistadas. A luta pelo sufrágio universal, por leis que garantam a integridade feminina (como a lei Maria da Penha), são ínfimas se comparadas às lutas contínuas da mulher - muitas vezes, dentro da própria casa - para abandonar o estigma de que é submissa ao homem, de que seu lugar é na cozinha, de que não entende nada quanto a certos assuntos, de que não é capaz de realizar determinadas tarefas.
Muito se conquistou mas ainda falta muito para se conquistar. O motivo maior desse texto não é falar das conquistas da luta feminina, e sim, das suas falhas. Do porquê ainda faltar tanto para eliminar completamente o machismo da nossa sociedade contemporânea. A resposta não é difícil. É simples ao analisarmos que por detrás de toda essa luta de algumas mulheres, existe um movimento de outras exatamente no sentido contrário: vulgarizar-se perante o sexo oposto.
Uma das frases mais pertinentes nesse assunto, é de ninguém mais, ninguém menos que do Charlie, de 'Two and a half men', que outro dia disse mais ou menos assim: "Estou indo para um lugar onde tenha garrafas cheias e mulheres vazias." Ora, o homem obviamente precisa muito mais de uma mulher na cama do que o contrário, se as mulheres se dessem mais valor, se preocupassem mais em valorizar seu conteúdo do que expor suas partes do copo, o homem é que iria ser submisso à mulher.
Isso me parece uma coisa meio óbvia. Se as mulheres (algumas, lógico), fossem menos fúteis, menos interessadas com a estética, e voltassem sua atenção menos para cirurgias plásticas e para a moda, e mais por seu lugar perante à sociedade, buscando sempre mecanismos de reverter essa situação, o movimento feminista nem teria mais sentido de existir. É preciso extinguir esse "conta-movimento": se ligar mais no que podemos ter por dentro do que por fora, no que podemos conhecer, do que podemos consumir. Valorizar-se enquanto mulher no real significado do termo, se tornando alvo mais difícil no momento da conquista. Essa é a melhor opção para não existirem mais tantos Charlies por aí. A campanha de luta feminista agora é: mulheres, se dêem o respeito.

26.4.10

Saudade é um pouco como fome, só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

Pequenas igrejas, grandes negócios.

O cristianismo é sem dúvida nenhuma, a religião mais influente no mundo em que vivemos, ou pelo menos, no mundo ocidental. Nosso calendário é cristão, a grande maioria de nossos feriados são devido a dias de santos, todo mundo comemora o Natal, todo mundo respeita a Páscoa. Muitas vezes, por mais que o caráter ideológico ou religioso do significado de cada tradição seja esquecido, ela é respeitada, e feita. Ainda que ninguém vá à missa todos os domingos, são poucos os que comem carne vermelha na sexta-feira santa, e ainda que ninguém mais se confesse, muita gente toma a hóstia pensando em beber o sangue e o corpo de Cristo.
Os católicos ortodoxos, se levarem ao pé da letra todos os ensinamentos do catolicismo, teriam uma vida cheia de privações. Cá entre nós, não é bem o que acontece. Além disso, eu realmente acho muito improvável que alguém acredite que amanhã pode ser o grande dia do Apocalipse, por exemplo. E é justamente essa falta de crédito ao caráter ideológico que talvez leve cada vez mais pessoas a buscarem outras religiões, outras igrejas.
Uma reciclagem dentro da própria Igreja Católica torna-se fundamental, tendo em vista a quantidade de adeptos que a mesma vem perdendo. Principalmente, para as igrejas pentecostais. Se o que o homem contemporâneo do século XXI gosta é de show, é de circo, as igrejas pentecostais dão de sobra. É só você ir num culto comprovar. Protestantes históricos? É claro que eles existem! Mas eu, pessoalmente, só conheço protestantes que se converteram por não terem no catolicismo apoio emocional suficiente. Por fraqueza ou não, homem e religião se confundem no próprio surgimento. O ser humano precisa de algo para se amparar, de na sua incapacidade de confiar em si mesmo, ter em que confiar. E religião, sempre trouxe esse amparo. Amparo e alienação. Tudo depende do que você acredita. O problema é quando esse amparo/alienação é utilizado para fins picaretescos. Pela má-fé.
Bem, a grande questão é que há muito tempo até a própria religião não fica imune à moneitarização contínua de tudo que nos cerca - na Idade Média, por exemplo, a Igreja já vendia lugares no paraíso -, e atualmente, através da ajuda moneitária à muitas dessas igrejas pentecostais, você pensa estar ajudando indiretamente a Deus; o que acaba levando muitas pessoas a venderem até suas calças para bancar as casas de praia dos pastores em Miami. Talvez isso também possa ser um dos grandes motivos de tanta intolerância religiosa por aí. Vende-se lugar no céu?

16.4.10

Luis Inácio Vargas da Silva?

Depois da alucinante aula de história do Brasil de ontem, não tem como não fazer um texto sobre o assunto. A conversa é a seguinte: populismo no Brasil. A analogia existente entre o governo Vargas e o governo Lula.
Ora, as semelhanças são notáveis. Pela própria maneira como Getúlio Vargas subiu ao poder, um dos maiores desafios de seu governo, seria a conciliação de todos os discrepantes interesses existentes entre as classes que o apoiaram. O de Lula também. E todos sabiam que isso não iria ser fácil.
No caso de Vargas, em primeiro lugar, ele teria que atender ao Exército, visto que, foi graças ao apoio dos tenentes e da Coluna Prestes (ainda com a isenção de seu líder), que a sua candidatura ganhou mobilização popular e que ele subiu ao poder. Ainda teria que atender as oligarquias dissidentes, defendida pelos próprios tenentes, sem deixar de lado o café - principal produto econômico do país que impulsionaria sua industrialização. E atendeu.
A crise da década de 20 é a crise da formação e reivindicação da classe operária, que ele conseguiu tornar um dos maiores trunfos de seu mandato. É a partir da formação do estado varguista, que o Estado passa a ter um papel conciliador entre o operariado e a burguesia. O Estado concedia benefícios ao primeiro, ao passo que controlava a sindicalização e os movimentos contra o segundo.
Getúlio herdou esse país em crise. E o que hoje se chama de crise dos anos 20 é também a crise da tentativa de movimentos liberais na área da saúde e educação que fracassaram. O que os escolanovistas, liderados por Anísio Teixeira nos legaram, foi precisamente a crença de que houve um momento na história política deste país em que projetos liberais reivindicaram seu espaço no conjunto da sociedade. Ao passo que, após a Revolução de 30, esses projetos perderam ainda mais sua força em detrimento do fortalecimento da própria União - que começou, inclusive, com a criação da Liga Pró-Saneamento e com movimentos educacionais reformistas conservadores. Ainda assim, é muito complicado se falar em um Brasil com um forte poder centralizador na República Velha. Isso é legado do governo Vargas. Assim como o surgimento do populismo no país.
Vargas conseguiu atender os interesses trabalhistas, industrializou o país, fez o Estado chegar aos sindicatos, fez importantes acordos comerciais e políticos, criou a Petrobrás, a Eletrobrás, não deixou de subsidiar ao café, deu importantes cargos aos tenentes (maior destaque para Juarez Távora que ocupou ministérios durante todos períodos de seu governo), fortaleceu as Forças Armadas, fortificou sua imagem. Se manteve no poder por 15 anos consecutivos. Trouxe um debate à tona: é possível fazer um regime populista sem se tornar autoritário?
Luís Inácio Lula da Silva mostrou que sim. Para quem achava que o tiro final do populismo no Brasil aconteceu em 1 de abril de 1964, dia em que o golpe militar derrubou João Gourlat, o governo Lula, querendo ou não, mostrou que teve jogo de cintura. Tudo bem, Lula teve a sorte de não herdar um país em crise. Teve sorte de herdar um país em que o plano Real já estivesse instituído para driblar a inflação e para que fizesse a economia prosperar. Mas conseguiu continuar o bom trabalho econômico do governo FHC. E como tudo é um processo contínuo, conseguiu fazer sua parte. E dizer que em termos gerais, seu governo não foi bom, é hipocrisia.
Lula está sendo indicado ao cargo de próximo secretário geral da Organização das Nações Unidas. Isso mesmo. Seu trabalho diplomático é reconhecido mundialmente. Políticas sansionistas ao Irã, pelo mesmo não ter assinado o tratado de não-proliferação de armas nucleares são a melhor opção para países que não têm capacidade de fazer acordos. Ou que querem impor suas vontades à custa de todas as outras - um aspecto muito curioso nesse caso é a seguinte: os Estados Unidos podem firmar acordo com a Rússia para a liberação de 15 toneladas de plutônio para fins pacíficos de proliferação de energia nuclear. Mas o Irã, não. É terrorismo. Os países membros-permanentes da ONU não precisam assinar o tratado. Mas todo o resto do planeta precisa. Será que alguém aqui tenta moldar o mundo de acordo com seus próprios interesses unilaterais?
"Curiosidades" à parte, nosso presidente Lula foi contra a proposta. E na minha opinião, fez certo. O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, deu uma camisa oficial da seleção ao presidente iraniano. Tem melhor maneira de se resolver impasses políticos do que tentando firmar acordos conciliadores? Como diria Hegel, de toda tese e antítese, surge a síntese.
Mas como todo bônus, tem seu ônus, os pesares do governo também não foram fáceis. E ninguém disse que seria. Engolir a privatização do gás natural pelo governo boliviano (tudo pela política de boa vizinhança) já foi demais. Lula faltou com a reforma agrária, teve seu governo manchado pelo escândalo do mensalão e por corrupção. Por outro lado, Vargas também não estendeu os benefícios do proletariado aos trabalhadores rurais, seu governo foi autoritário e em até certo ponto repressor, o golpe que garantiu a criação do Estado Novo mostrou isso. Ainda assim, foi um dos mais importantes regimes para a história política do país.
Em 2002, a cena começou a se repetir. Lula, com seus programas de bolsa família, fome zero, aumento do salário mínimo, propostas de expansão do plano da previdência social, e até pelo culto à sua imagem, conseguiria facilmente se reeleger de novo. O problema é eleger uma pessoa sem uma trajetória política conhecida, por causa da trajetória de outra. Dilma lá?

7.4.10

Modernismo Revisitado

Procurando coisas inúteis na internet, às vezes acabo encontrando coisas bem interessantes...
É o caso do texto 'Modernismo Revisitado' de Eduardo Morais, sobre o Modernismo Brasileiro da década de 20. Para quem se interessa sobre o tema, vale à pena conferir. Me fez entender melhor o sentido de aparentes contradições no movimento. Como o fato, por exemplo, do modernismo brasileiro ser o único, que não rompia com a tradição, muito pelo contrário, a valorizava em sua produção artística, a tornando requisito básico para o ideário de nacionalidade, intrínseco à própria concepção do modernismo brasileiro, a partir da luta do Brasil para conquistar destaque no cenário modernista internacional.
Essas e outras questões estão explicitadas no texto, fundamental para uma melhor compreensão dos objetivos de uma determinada parcela da própria burguesia, assim como suas implicações para a realidade nacional do ínicio do século XX.
Segue abaixo, o link:

6.4.10

Andy Warhol, Mr. America.


Sinceramente, não acho que Andy Warhol seja o grande artista do século XX, mas há um tempo eu tava querendo ir em uma exposição de pop arte, e Warhol no domingo, através de seus trabalhos, fotos e frases me fez entender mais o porquê da arte no século XX ter se tornado algo definido também pelo seu valor monetário. Valeu à pena.
Americano até o osso, Andy Warhol é um artista de seu tempo, do tempo da Grande Depressão, do tempo da Guerra Fria, do tempo da ascensão de Hollywood. Uma vez lhe mandaram desenhar o que mais gostava no mundo. O que ele fez? Desenhou dinheiro.
Trabalhando com a serialidade que tanto amava na repetição de suas serigrafias, tentava provar o quanto uma imagem vista repetidas vezes perde sua força. Através disso, mostrava o quanto figuras públicas são impessoais e vazias.
Segundo ele, os Estados Unidos eram o primeiro país no mundo a fazer pessoas de diferentes classes sociais usufruirem dos mesmos produtos de consumo. A coca-cola por exemplo, era tomada tanto pelo mendigo, como pelo rico industrial. E era isso que ele via: a coca-cola, a lata de sopa Campbell. E foi extamente isso, com um sentido de mostrar seu poder subversivo à hierarquia de classes, que ele transformou em arte.

Quem tiver oportunidade, a exposição vai ficar até dia 23 de maio na Pinacoteca de São Paulo.


"A fonte dos problemas das pessoas são suas fantasias. Se você não tivesse fantasias você não terias problemas. Porque você aceitaria qualquer coisa que estivesse na sua frente. Mas aí você não teria romance, porque romance é encontrar sua fantasia em pessoas que não são sua fantasia. "

“Se você quer saber tudo sobre Andy Warhol, é só olhar para a superfície: das minhas pinturas, dos meus filmes e de mim, eu estou lá. Não há nada por trás disso.”

30.3.10

A Rússia de Trótsky.

León Trotsky. Mártire da Revolução bolquevique e participante ativo da Revolução de fevereiro. Criador e organizador do Exército Vermelho, que o levou à vitória na guerra civil russa durante a República de Kerensky. Fundador da 3ª e da 4ª Internacional (a primeira ao lado de Lênin). Peça-chave para por à prova, pela primeira vez na história da humanidade, o ideário marxista. Trótsky tinha um grande plano para a Rússia. Um grande plano para a humanidade. A Rússia de Trótsky, por não ter se efetivado, é muito bela no plano utópico. Mas será que na prática passaria desse plano? Será que seus ideais, tais como o eram, seriam concretizado de fato no âmbito do exequível? Nunca saberemos. Mas tudo nos leva a crer que sim.

Autor da célebre frase "a Revlução foi traída", o ideal trotkista era espalhar o socialismo pelo mundo inteiro, opinião divergente à de Stálin, que queria fortalecer primeiro o socialismo em um só país. Trótsky era sem dúvida, o segundo homem da Revolução. O golpe stalinista responsável pela sua exclusão da banca do poder vem revelar o colapso de um regime que no mínimo serviu para colocar em debate as desventuras do sistema capitalista - sendo responsável por levar a burguesia urbana a ceder benefícios trabalhistas ao proletariado sob o espectro de uma possível revolução. Seu colapso foi inevitável, em partes, pelos próprios líderes que tomaram sua frente.

Em momento algum, fala-se aqui que na Rússia de Trótsky real não haveria opressão e repressão, mas os limites, certamente seriam mais tangíveis a um regime que não tinha o intento de ser caracterizado unicamente pelas "mãos-de-ferro" do ditador. A grande questão é: até que ponto vale à pena se privar de certas liberdades individuais, para ter certos direitos garantidos? Primeiro, todos aqui devem convir, por mais discrepantes orientações políticas que possam ter, que até certo ponto vale à pena. Qualquer pessoa que faça parte de um Estado, e todas as implicações que essa definição trás, há de concordar que nossas liberdades são delineadas pela lei. Niguém aqui é livre para matar e não sofrer nenhuma sanção por isso. Ninguém é livre para invadir a propriedade alheia, ninguém é livre para furtar outrem. A regra de ouro "o meu direito acaba quando o seu começa", serve também para a liberdade dos modernos: "a sua liberdade acaba, quando o meu direito começa". Logo, partindo dessa premissa que até certo ponto vale à pena abdicar de uma certa liberdade para ter determinados direitos garantidos, qualquer discurso que fale sobre falta de liberdade em regimes socialistas, tem que falar sobre a maior abrangência de direitos. É isso, pelo menos, que Trótsky tentava propor.

Trótsky criticava a burocratização do Estado, a extinção da vida democrática no interior dos sovietes e o excesso de poder concentrado em qualquer regime autoritário. O plano de Trótsky para Rússia padecia de vicissitudes, sim, mas continha paixão. No que consistia seu plano político-econômico? Não dá para distanciá-lo da base do ideário marxista-leninista: igualdade perante à lei, estatização proeminente, distribuição de renda, recursos e subsídios igualitários. "Paz, pão e terra!" era um de seus slogans, ao lado de Vladimir Lênin. A principal diferença de León Trótsky com outros líderes comunistas, é a defesa inpalpável de que sem liberdade, não há socialismo. Acaba-se tratando de uma ditadura, sim, mas não a ditadura do proletariado, mas a ditadura de um punhado de políticos, isto é, uma ditadura no sentido estritamente burguês.

Começar um debate sobre sua estratégia política é caminhar por um terreno onde irrisórias concepções anacrônicas não têm espaço. É muito fácil olhar o passado e dizer que obviamente o regime socialista nunca daria certo. Estamos olhando para trás com os olhos do presente. O anacronismo preexistente em cada pensamento que delegue um valor medíocre à atitudes do passado, só nos mostra o quanto somos arrogantes e prepotentes em pensar que não estamos comentendo os mesmos erros com relação ao futuro.

Ana Cecília Sabbá e Nayara Noronha.

28.3.10

Adeus vocês.

Eu hoje vou pro lado de lá, eu tô levando tudo de mim, que é pra não ter razão pra chorar, vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar. Cuida do teu, pra que ninguém te jogue no chão, procure dividir-se em alguém, procure-me em qualquer confusão. Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui por não te amar. Quero ver você maior, meu bem. Pra que minha vida siga adiante. Pra que minha vida siga adiante...
Adeus você, não venha mais me negacear, teu choro não me faz desistir, teu riso não me faz reclinar. Acalma essa tormenta e se aguenta que eu vou pro meu lugar. É bom, às vezes se perder, sem tem porquê, sem ter razão. É um dom saber evaidecer, por si saber mudar de tom. Quero não saber de có, também. Pra que minha vida siga adiante. Pra que minha vida siga adiante...

19.2.10

What do you think about the crazy sixties years?

Se você pudesse escolher uma única década para viver sua juventude... qual seria?
Vamos convir que as últimas onze décadas (as quais temos uma maior riqueza de detalhes pelo pouco tempo histórico) tiveram todas suas singularidades, contudo, para mim, a melhor década para alguém em ascensão e paixão pela vida é sem dúvida 65/75. Se a adolescência já é por natureza, uma fase de rompimento familiar e nos Estados Unidos há uma exacerbação disso pela própria "cultura do desapego" existente se comparado ao Brasil, imagine então, ter sido um adolescente norte-americano da fase mais conturbada e louca da História - o final dos anos 60.
Às vezes eu fico tentando me teletransportar para esse período, tentando imaginar como seria viver com toda a liberalidade dessa década. Estranho pensar em viver sem internet, aparelho celular, câmera digital... Mas quem precisa disso com todas aquelas Revoluções eclodindo no mundo inteiro, seja estudantes em Paris lutando contra regimes totalitaristas, ou com a Primavera de Praga eclodindo por uma abertura socialista na Tchecoslováquia? Protestos pacifistas (ou não) desencadeiam contra a guerra do Vietnã. O BUM da comunicação. O mundo inteiro vendo pela primeira vez a transmissão de uma guerra ao vivo. O homem pisa na Lua. Nasce a utopia da conquista do espaço sideral até os anos 2000. Nessa década, tudo é possível. Até ver o impeachment de um presidente norte-americano. É, é em 1974 que Richard Nixon se torna o primeiro presidente dos Estados Unidos a renunciar à Casabranca, o escândalo de Watergate não deixava outra alternativa.
Ainda assim, é a época do rock'n'roll. Os grandes nomes das bandas de rock mundial surgem nesse momento: The Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath, The Doors, The Velvet Underground, Led Zeppeling, Pink Floyd, Deep Purple, The Beach Boys, The Who. Li outro dia uma matéria da Rolling Stone muito pertinente que dizia mais ou menos assim: "Essas bandas secundárias do final da década de 60/70 não são ruins, muito pelo contrário, são melhores do que qualquer banda de rock dos dias atuais, o problema é que surgiram em uma época onde os monstros da música desapontaram. Ser da mesma época dos Beatles - a banda mais bem sucedida da história - é sacanagem, . Tinha que ser muuito bom pra poder gravar alguma coisa naquela época."
John Lennon e toda sua influência para o surgimento do movimento hippie. No Brasil, o movimento assumiu a faceta do Tropicalismo. No mundo inteiro, o movimento trouxe suas implicações: não se via problema em triângulos, quadrados, até quintetos amorosos. Homem, mulher, tanto faz. Love it all. Love and peace. Sex, drugs and rock'n'roll. Falando em drogas, em uma época onde ainda não havia pesquisa suficiente - e as que haviam não tinham lá muita credibilidade - para saber os reais malefícios causados por elas, ácido se conseguia com a mesma facilidade que tabaco hoje em dia. Não é à toa que a maioria das músicas do Pink Floyd fazem apologia ao famoso LSD. Maconha, haxixe ou êxtase... não importa. It's free. Era tudo liberado e todo mundo era livre. Por isso também tão loucos. Mas como diria Erasmo de Roterdã em seu "Elogio à loucura": "Quem consegue viver sem a loucura? Ou melhor, quem sabe o que é a vida sem ela? A infelicidade está nos olhos de quem a vê, já a loucura nos cega para isso e nos acorda para a vida, para não apenas sermos mais um nessa efêmera passagem. Sejamos loucos, aproveitemos a vida e nela consagremos nosso nome e uma definição para nossa existência." E essa consagração, não veio em nenhuma outra década, em nenhum outro período histórico como veio no final da década de 60 - a mehor de todos, todos os tempos. É esse o grande motivo de seu encanto.

17.2.10

De dentro do luxo, pra boca do lixo.

O problema é trivial: lixo urbano. A questão? Indiferente à maioria das pessoas. Na verdade, ainda nos faltam meios eficazes para tentar solucionar o problema. Reciclagem? Coleta seletiva? Isso tudo é muito pouco pro montalhão de resíduo que nossas casas despejam no mundo diariamente. É caro e dá trabalho. E ainda que fosse prático, com a falta de mobilidade atual, não iria para frente, assim como já não vai. O que fazer então? Políticas públicas? Não adianta culpar somente a atuação governamental, mas cá entre nós, propaganda é a alma do negócio, não é? Pois então, a política anti-fumo da década de 70/80 reduziu consideravelmente o número de fumantes nos centros urbanos, o mesmo ocorreu com as drogas, lícitas até então. A política da prevenção contra AIDIS tornou o que antes era tabu, um problema de interesse social. Alardear o problema do lixo urbano pode ser um caminho para resolvê-lo.
Além disso, se o que a população precisa é tomar doses cada vez mais cavalares de um determinado remédio para poder ficar imune, essa imunidade inquebrável que todo mundo parece ter com relação ao problema do lixo urbano só pode ser rompida por soluções em que atinjam diretamente o que lhes é mais precioso: seu bolso. É isso mesmo. Se andar de carro sem placa no verão leva à uma multa de R$180,00, por que jogar fora lixo em locais não apropriados não? Já deu certo no Sul do país e deu certo em 28 países do mundo. Parar de jogar lixo nas ruas é o primeiro passo para a partir de então, se falar em reciclagem ou coleta seletiva. Programas de caridade também seriam uma boa pedida. Bom senso: impedir que o que é luxo para uns, se torne lixo para outros.

26.1.10

Somos os filhos da Revolução!

E já estamos em janeiro de 2010. Quase uma década do "novo" século já se passou. E há umas quatro, se separam a época das grandes idéias políticas, dos grandes ideais revolucionários. Vivemos em uma era caracterizada pelo apatismo e conformidade. Conformidade com o modo de produção, com o sistema, com o abandono dos grandes ideais que moldaram o mundo no século passado. É como se, de crianças (quando ainda estamos descobrindo o mundo e vendo tudo como se fosse a primeira vez) passássemos abruptamente à fase adulta. Acostumados com tudo. Apáticos demais para reclamar de alguma coisa.
A vida a viver, nada pra gritar? Não. É a preferência por colocar a realização de seus caprichos como objetivo supremo de vida da maioria das pessoas, que inibe realizações grandiosas. Lacan defenderia que devemos gritar e viver por nossas idéias e ideais, e não julgar nossa vida pelo que obtivemos de desejos e vontades, mas sim, pelos pequenos momentos de integridade, compaixão, e até autosacrificio. Pois afinal, o único modo de julgar nossas vidas, é valorizando a vida dos outros.
Quanto mais vivo, mais me convenço que estamos aqui unicamente para... viver. Ter um objetivo de vida que não seja medido pela constância de impressões inferiores é o que produz homens superiores. Tudo é efêmero, talvez, até nossa espécie seja, mas saber dar algum sentido para nossa vida caracterizada pela susceptibilidade, é a maior dádiva que pode existir. Tornar a vida das pessoas mais íntegras, por que não? Tornar melhor e maior a passagem de todos por aqui. Nós morremos, mas nossos ideais, não. Saber deixar rastros de nossa passagem por aqui é virtude.
Pelo quê você seria capaz de dar sua vida? Eu quero morrer por um ideal. Por uma luta. Pela tentativa de fruição e transformação em um vida alheia. Ou em várias. O problema, é que no século XXI, falta isso. O que sobra? Pseudos-movimentos estudantis - e sumiço de identidades como a UNE -, perda de sentido das instituições, falta de credibilidade para com as ONG's, o contínuo impressionismo sempre existente com teorias apocalípticas, inversão de orientações políticas como esquerda e direita. Anarquia é motivo de piada. O assunto agora é o aquecimento global. O capitalismo triunfou. E não existem mais Trótskys ou resistências vietnamitas para pôr em debate melhorias no sistema. Somos os filhos das Revoluções. E os nossos filhos? Serão o quê?

21.1.10

2009: Ele pôde tudo e tudo ele pôde.

Fazendo uma breve restrospectiva da vida parlamentar no Brasil neste ano que passou, o nosso querido presidente do Congresso Nacional José Sarney foi alvo no total de 11 representações por quebra de decoro parlamentar. Nenhuma prosseguiu. A maior crise na história do Senado? Sem nenhuma dúvida.
Nomeações sigilosas de funcionários, 80 diretorias com salários impalpáveis e espaço até para um diretor de garagem. O escândalo tentava ser mascarado. Mas enquanto tentavam minimizar os efeitos dos feitos do nosso querido Senador, as acusações ganhavam desdobramentos. Atos secretos. Facilitação dos negócios do neto. Mentiu sobre a responsabilidade adminstrativa da entidade que leva seu nome e usou seu tão suado cargo em benefício da mesma.
O "Fora Sarney!" não chegou ao âmbito do exequível. Era utópico. Pois é imaginário pensar que uma pessoa na cadeira do poder desde a mais tenebrosa época na história da democracia (?) brasileira - um militar ativista de direita - possa assim, de uma hora pra outra, ser desbancado. O trono balançou. Sorrateiramente a culpa caiu sobre o então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia e Carlos Zoghbi, ex-diretor de direitos humanos. Foi Lula o articulador da operação sigilo e salvamento. Ora, se tudo o que importa nessa merda aqui é o apoio nas eleições presidenciais mesmo, conseguiu o que queria então, hein, Presidente? Agora o PMDB apóia Dilma Roussef. Com isso, o clã Sarney ultrapassa três décadas de poder e se recupera para, quem sabe, a eternidade.
O engraçado? É que ainda existem pessoas que tem coragem de falar em ditadura cubana, monopólio de poder chavenho e liberdade democrática. O pior é a ditadura Sarney, que poucos têm conhecimento e não visa nenhum fortalecimento estatal interno. Antes de abrirmos a boca para criticar qualquer regime, temos que olhar para nós mesmos e perceber, que há 50 anos a grande maioria, ainda é a mesma que está no poder. Democracia?

19.1.10

Pra que minha vida siga adiante...

Tava meio afastada daqui, enfim, não por falta de idéias, mas por falta de organização para -las em ordem. Acontece que nesses últimos dias, eu tenho pensado o quanto algumas coisas acabam mudando nossa vida irremediavelmente. Elas podem ser banais, efêmeras, importantes, intocáveis, detestáveis, platônicas. Não sei na vida de vocês, mas na minha, tiveram acontecimentos cruciais pra todo o desenrolar da minha história, e pessoas, tangíveis ou não, que nem dá pra explicar a magnitude da importância. E a importância específica de uma determinada banda pra construção de todos os meus sonhos e até da minha própria personalidade, é ines... timável. A banda? Todo mundo já sabe qual é. Assim é que se faz, ? Pois é, recesso. 2 anos e meio sem mais nada novo. Mas os 4 álbuns que eles deixaram ainda me alimentam como da primeira vez que ouvi cada música. Suas músicas e minhas fases. Fico revezando-as junto com os álbuns. Agora eu numa fase bem 'Bloco do eu sozinho', talvez por muitas das letras relatarem o que eu sentindo agora. Mas essa vai ser pra sempre a minha banda, sabe? A banda da minha vida. Paixão minha. Poucas pessoas têm a sorte de se identificar tanto com uma banda como eu tive. Cada acorde, sopro, melodia... uhhhh, é tão pra mim. Tão de mim. É tanto eu que até me assusta. parecendo uma criança de 13 anos empolgada com a sua mais nova descoberta musical, mas pra eles, eu sou bem assim mesmo: aos 13, igualzinho quando vi um show ao vivo pela primeira vez. E sempre bate aqueela nostalgia, é de lágrima. Hiato eterno? Nem choro mais, só levo a saudade, os 4 álbuns e a fé pra onde eu sempre aponto, e remo.