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26.1.10

Somos os filhos da Revolução!

E já estamos em janeiro de 2010. Quase uma década do "novo" século já se passou. E há umas quatro, se separam a época das grandes idéias políticas, dos grandes ideais revolucionários. Vivemos em uma era caracterizada pelo apatismo e conformidade. Conformidade com o modo de produção, com o sistema, com o abandono dos grandes ideais que moldaram o mundo no século passado. É como se, de crianças (quando ainda estamos descobrindo o mundo e vendo tudo como se fosse a primeira vez) passássemos abruptamente à fase adulta. Acostumados com tudo. Apáticos demais para reclamar de alguma coisa.
A vida a viver, nada pra gritar? Não. É a preferência por colocar a realização de seus caprichos como objetivo supremo de vida da maioria das pessoas, que inibe realizações grandiosas. Lacan defenderia que devemos gritar e viver por nossas idéias e ideais, e não julgar nossa vida pelo que obtivemos de desejos e vontades, mas sim, pelos pequenos momentos de integridade, compaixão, e até autosacrificio. Pois afinal, o único modo de julgar nossas vidas, é valorizando a vida dos outros.
Quanto mais vivo, mais me convenço que estamos aqui unicamente para... viver. Ter um objetivo de vida que não seja medido pela constância de impressões inferiores é o que produz homens superiores. Tudo é efêmero, talvez, até nossa espécie seja, mas saber dar algum sentido para nossa vida caracterizada pela susceptibilidade, é a maior dádiva que pode existir. Tornar a vida das pessoas mais íntegras, por que não? Tornar melhor e maior a passagem de todos por aqui. Nós morremos, mas nossos ideais, não. Saber deixar rastros de nossa passagem por aqui é virtude.
Pelo quê você seria capaz de dar sua vida? Eu quero morrer por um ideal. Por uma luta. Pela tentativa de fruição e transformação em um vida alheia. Ou em várias. O problema, é que no século XXI, falta isso. O que sobra? Pseudos-movimentos estudantis - e sumiço de identidades como a UNE -, perda de sentido das instituições, falta de credibilidade para com as ONG's, o contínuo impressionismo sempre existente com teorias apocalípticas, inversão de orientações políticas como esquerda e direita. Anarquia é motivo de piada. O assunto agora é o aquecimento global. O capitalismo triunfou. E não existem mais Trótskys ou resistências vietnamitas para pôr em debate melhorias no sistema. Somos os filhos das Revoluções. E os nossos filhos? Serão o quê?

21.1.10

2009: Ele pôde tudo e tudo ele pôde.

Fazendo uma breve restrospectiva da vida parlamentar no Brasil neste ano que passou, o nosso querido presidente do Congresso Nacional José Sarney foi alvo no total de 11 representações por quebra de decoro parlamentar. Nenhuma prosseguiu. A maior crise na história do Senado? Sem nenhuma dúvida.
Nomeações sigilosas de funcionários, 80 diretorias com salários impalpáveis e espaço até para um diretor de garagem. O escândalo tentava ser mascarado. Mas enquanto tentavam minimizar os efeitos dos feitos do nosso querido Senador, as acusações ganhavam desdobramentos. Atos secretos. Facilitação dos negócios do neto. Mentiu sobre a responsabilidade adminstrativa da entidade que leva seu nome e usou seu tão suado cargo em benefício da mesma.
O "Fora Sarney!" não chegou ao âmbito do exequível. Era utópico. Pois é imaginário pensar que uma pessoa na cadeira do poder desde a mais tenebrosa época na história da democracia (?) brasileira - um militar ativista de direita - possa assim, de uma hora pra outra, ser desbancado. O trono balançou. Sorrateiramente a culpa caiu sobre o então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia e Carlos Zoghbi, ex-diretor de direitos humanos. Foi Lula o articulador da operação sigilo e salvamento. Ora, se tudo o que importa nessa merda aqui é o apoio nas eleições presidenciais mesmo, conseguiu o que queria então, hein, Presidente? Agora o PMDB apóia Dilma Roussef. Com isso, o clã Sarney ultrapassa três décadas de poder e se recupera para, quem sabe, a eternidade.
O engraçado? É que ainda existem pessoas que tem coragem de falar em ditadura cubana, monopólio de poder chavenho e liberdade democrática. O pior é a ditadura Sarney, que poucos têm conhecimento e não visa nenhum fortalecimento estatal interno. Antes de abrirmos a boca para criticar qualquer regime, temos que olhar para nós mesmos e perceber, que há 50 anos a grande maioria, ainda é a mesma que está no poder. Democracia?

19.1.10

Pra que minha vida siga adiante...

Tava meio afastada daqui, enfim, não por falta de idéias, mas por falta de organização para -las em ordem. Acontece que nesses últimos dias, eu tenho pensado o quanto algumas coisas acabam mudando nossa vida irremediavelmente. Elas podem ser banais, efêmeras, importantes, intocáveis, detestáveis, platônicas. Não sei na vida de vocês, mas na minha, tiveram acontecimentos cruciais pra todo o desenrolar da minha história, e pessoas, tangíveis ou não, que nem dá pra explicar a magnitude da importância. E a importância específica de uma determinada banda pra construção de todos os meus sonhos e até da minha própria personalidade, é ines... timável. A banda? Todo mundo já sabe qual é. Assim é que se faz, ? Pois é, recesso. 2 anos e meio sem mais nada novo. Mas os 4 álbuns que eles deixaram ainda me alimentam como da primeira vez que ouvi cada música. Suas músicas e minhas fases. Fico revezando-as junto com os álbuns. Agora eu numa fase bem 'Bloco do eu sozinho', talvez por muitas das letras relatarem o que eu sentindo agora. Mas essa vai ser pra sempre a minha banda, sabe? A banda da minha vida. Paixão minha. Poucas pessoas têm a sorte de se identificar tanto com uma banda como eu tive. Cada acorde, sopro, melodia... uhhhh, é tão pra mim. Tão de mim. É tanto eu que até me assusta. parecendo uma criança de 13 anos empolgada com a sua mais nova descoberta musical, mas pra eles, eu sou bem assim mesmo: aos 13, igualzinho quando vi um show ao vivo pela primeira vez. E sempre bate aqueela nostalgia, é de lágrima. Hiato eterno? Nem choro mais, só levo a saudade, os 4 álbuns e a fé pra onde eu sempre aponto, e remo.