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20.7.10

Após muitas tentativas frustradas, notei a impotência do ser humano em se tratando de definições. Há muito busco em palavras descrever os mais diversos sentimentos, as mais ousadas sensações. Talvez a vontade de entender tais aspirações, me faz querer transcrever para o papel tudo aquilo que me empolga, o que me dói, o que me excita ou o que me anula.
Sentir-me viva é o que busco ao deslizar por dentre essas linhas. Nem sempre consigo, porém são nessas frustrações que encontro respostas. Respostas para perguntas que já não faço. Soluções para os problemas dos quais eu fujo.
Se a vida é feita de cuidados, não hesito ao me atirar nesse mar de tentativas. "Definir-se é limitar-se”, logo, desisto de fugir diante as rédeas da definição do sentir e apenas sou-me. Sem mais, nem menos. Tentando somente encontrar-me nesse infinito embaraço.
Se me ouço, hesito. Se hesito, não me reconheço. Vivo de contratempos, de entrelinhas, de impulsões. Alimento-me com palavras, com o frio e com anseios. Sinto nostalgia de uma ausência desconhecida – que sempre se faz presente- e também da presença daquilo que jamais vivi. Fruto do que me espera. Do que um dia eu queria ter sido, mas não fui. Fruto de um futuro que foge às regras e não espera o amanhã.

2 comentários:

Raíssa disse...

Ham, acho que entendo bem esses impulsos, acontecem comigo desde quando eu descobri que preciso escrever para conseguir enxergar as coisas... Fica mais fácil quando escrevo. Escrevo por dois motivos: o primeiro é que o que eu sinto me faz escrever e o segundo é que escrevo para tentar definir o que eu sinto. Talvez no fundo meus dois motivos sejam um só mesmo, mas a ordem varia de vez em quando. Me entender, entender os outros, entender o ser humano, nossos impulsos, nossas vontades, os motivos ou a simples ausência deles. Tudo. É tudo complexo demais ao mesmo tempo que parece ser simples demais. E olha que às vezes é simples mesmo, mas simplesmente complicamos. Enfim, daqui a pouco sou eu que vou acabar dando um nó aqui. haha
Adorei teu blog!
Beijos!

Eduardo Teixeira de Azevedo disse...

Com certeza, esta é uma das melhores explicações que li até o momento sobre a vontade que temos de deixar tudo palpável, para que assim possamos fazer mais perguntas e procurar novamente apalpar novas respostas. Isto é o que motiva e faz com que a nós continuemos vivendo.
Muito bom.
Se me permites é claro, postarei em meu blog sua postagem.