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29.5.12

Ainda existo

Impressionante como o tempo é capaz de dar cores e contornos completamente diferentes para as mesmas coisas. Impressionante como o tempo é capaz de fazer desbotar os amores mais vívidos, as paixões mais intensas, e tudo aquilo que outrora já fora tão importante. Impressionante como o tempo é capaz de mudar a vida de uma pessoa: se eu olhar para trás, por exemplo, tirando algumas poucas pessoas, minha vida não tem mais quase nada do que fora há 6 anos - saí da escola, mudei de cidade, entrei na faculdade, penso diferente, tenho opiniões diferentes, ando com pessoas diferentes, leio coisas diferentes. Mas impressionante mesmo é o quanto algumas coisas não mudam nunca.
Esse final de semana que passou me fez pensar muito sobre isso. Sabe aquela música que diz "tudo vai permanecer igual, afinal, não há nada a fazer"? É bem assim que me sinto com relação a algumas coisas da minha vida, que há tempos caminham comigo e fazem de mim o que sou hoje. Explico: tô falando de Los Hermanos mesmo.
Quem me conhece sabe que não dá pra falar muito de mim sem falar deles. Quando eu comecei a escutar aqueles barbudos, e a ter quase que uma obsessão por aquele álbum - até então - muito pouco conhecido, que vinha falar de amor através de um sambinha nostálgico de carnaval (e acompanhado de metais!), chamado Bloco do Eu Sozinho, minha mãe dizia que era só uma fase, e que logo iria passar. Acontece que já passaram 8 anos do primeiro show que eu fui, e não tem jeito: pra eles eu vou ser sempre aquela adolescente empolgada de 13 anos, que chorou no primeiro show que foi, e que os olhos brilham de felicidade em todo show que vai. É,  eu cresci, mas eu vou ser pra sempre aquela tiete que pulou de emoção quando entrou no camarim pela primeira vez e que até hoje fica com o coração na boca toda vez que encontra um deles numa curva qualquer.
Não dá pra explicar o que foi pra mim acompanhar de perto essa turnê de 15 anos da banda. Felicidade é muito pouco pra descrever tudo que eu senti esses dias. E não foi suficiente. Mais de 15 shows ao longo da minha vida não foram suficientes, quatro álbuns não são suficientes. Los Hermanos vai ser pra sempre o meu vício, a minha droga predileta. Ainda sou aquela mesma menina de 15 anos, só que completamente diferente. Mas ela ainda existe em mim. Ela ainda sou eu. Eu ainda existo. Esse final de semana (e seus quatro shows na Fundição), me lembrou porque eu vim parar no Rio de Janeiro; me lembrou  que existem coisas na vida que ninguém pode me tirar, e que para encontrar paz, como diz a música, é só lembrar do que te resta além das coisas casuais. E isso não é difícil. Afinal, alguma coisa a gente tem que amar, e há anos eu tenho um caminho, um motivo e um lugar pra poder repousar esse amor.

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